“O Humanismo é uma postura de vida democrática e ética, que afirma que os seres humanos têm o direito e a responsabilidade de dar sentido e forma às suas próprias vidas. Defende a construção de uma sociedade mais humana, através de uma ética baseada em valores humanos e outros valores naturais, dentro do espírito da razão e do livre-pensamento, com base nas capacidades humanas. O Humanismo não é teísta e não aceita visões sobrenaturais da realidade.”
Uma introdução aos três pilares da conduta humanista: pensar criticamente através da razão e da ciência, agir com bondade guiado pela empatia social, e procurar uma vida plena e feliz no aqui e agora, reconhecendo que esta é a nossa única existência.
O Humanismo tem as suas raízes na Grécia Antiga. Desde então, esteve no centro de períodos de grande avanço no mundo ocidental, como o Renascimento e o Iluminismo. Neste artigo, apresento algumas das figuras e ideias que deram origem ao Humanismo Secular tal como o conhecemos hoje.
Uma explicação detalhada sobre o humanismo secular, os seus 7 princípios fundamentais e a sua perspetiva sobre religião, naturalismo e ateísmo.
Inclui uma análise sobre como os humanistas seculares veem as alegações religiosas e sobrenaturais, bem como a sua relação com o ateísmo, agnosticismo e deísmo.
Um guia essencial que clarifica as nuances políticas, filosóficas e sociológicas da comunidade não-religiosa em Portugal. Descubra as distinções fundamentais entre termos como laico, secular, ateu, agnóstico, naturalista e apateísta.
O Dia Internacional Humanista é celebrado anualmente a 21 de junho, uma data que une humanistas de todo o mundo na promoção dos valores positivos do Humanismo e na partilha das preocupações globais do movimento. Esta celebração, que remonta à década de 1980, é uma oportunidade para refletir sobre a importância da ética secular, da razão e da compaixão na construção de uma sociedade mais justa e humana.
Definições de Humanismo
“O Humanismo é uma postura de vida democrática e ética, que afirma que os seres humanos têm o direito e a responsabilidade de dar sentido e forma às suas próprias vidas. Defende a construção de uma sociedade mais humana, através de uma ética baseada em valores humanos e outros valores naturais, dentro do espírito da razão e do livre-pensamento, com base nas capacidades humanas. O Humanismo não é teísta e não aceita visões sobrenaturais da realidade.”
“A palavra Humanismo deriva do latim humanus, que significa “humano”. Podemos definir brevemente um humanista como alguém cuja visão do mundo confere grande importância aos seres humanos, à vida e ao valor do ser humano. O Humanismo realça a liberdade do indivíduo, a razão, as oportunidades e os direitos.”
Gaarder, Jostein em O Livro das Religiões
“… procura, sem recorrer à religião, o melhor nos seres humanos e para os seres humanos.”
Chambers Pocket Dictionary (Dicionário de Bolso Chambers)
“… uma doutrina, atitude, ou modo de viver centrado nos interesses ou valores humanos; em particular: uma filosofia que normalmente rejeita o sobrenatural e dá enfâse à dignidade do indivíduo e ao seu valor e capacidade para a auto-realização pessoal através do uso da razão.”
“… um apelo ao uso da razão, em vez de revelações ou autoridades religiosas, como uma forma de partir à descoberta do mundo natural e do destino do homem, e, também, para desenvolver uma base para a moralidade… A ética humanista também se distingue por a sua acção moral ter como objectivo alcançar o bem-estar da humanidade, em vez de procurar cumprir a vontade de Deus.”
Oxford Companion to Philosophy (Acompanhante da Filosofia Oxford)
“A rejeição da religião em prol do avanço da humanidade pelo seu próprio esforço.”
“O que é caracteristicamente humano, e não sobrenatural, o que pertence ao homem e não a forças externas, o que eleva o homem à sua maior altura ou lhe dá, enquanto homem, a maior satisfação.”
Encyclopedia of the Social Sciences (Enciclopédia das Ciências Sociais)
Valores do Humanismo
O biólogo T. H. Huxley fez um bom resumo da abordagem humanista da vida quando disse a sua famosa frase: devemos aprender o que é verdade para podermos fazer o que é correto.
“Aprende o que é verdade, para fazer o que é correto.”
— Thomas Henry Huxley
A abordagem humanista da vida enfatiza ver o mundo como ele realmente é, tratar os outros como eles gostariam de ser tratados e viver a vida o mais plenamente possível.
Pensar claramente
Os humanistas valorizam o pensamento racional e crítico.
Tudo está aberto a questionamento
Não aceitamos as coisas simplesmente porque nos foram ditas. Fazemos perguntas e pensamos de forma cuidadosa e crítica, tanto sobre os nossos próprios pontos de vista como os dos outros. A isto chama-se uma abordagem cética.
As respostas baseiam-se em evidências
Não podemos ter a certeza absoluta de que aquilo em que acreditamos é verdade, porque tudo está aberto a questionamento. Mas se tivermos boas evidências, temos uma boa razão para acreditar em algo.
A evidência é descoberta através da ciência
Rejeitamos explicações sobrenaturais para o funcionamento do mundo, tais como a existência de deuses. O mundo, todas as evidências nos indicam, é mais bem compreendido como um lugar natural. A observação e a experimentação, questionar e testar teorias, provaram ser a melhor forma de descobrir como ele funciona.
A ciência pode mostrar que estamos errados
Seguir as evidências significa aceitar que podemos estar enganados e estar dispostos a mudar de opinião. Estar errado não tem problema! Significa que a nossa compreensão está a progredir.
Não saber faz parte da diversão
Como fazemos perguntas e a nossa compreensão muda, temos de nos sentir confortáveis na incerteza. A curiosidade e a jornada para descobrir mais podem ser um dos grandes prazeres da vida.
“Os humanistas não afirmam saber, apenas pedimos que tenha muito cuidado com aqueles que afirmam saber. Quem lhes disse? O que significa o conhecimento deles? Por que razão deveria confiar neles? Acima de tudo, também não acredite na minha palavra. Não acredite na palavra de ninguém. Descubra por si próprio.”
— Stephen Fry, patrono da Humanists UK
Ser bom
Os humanistas agem a pensar nos outros.
Trate os outros como quer ser tratado
Ou melhor, como eles querem ser tratados. Somos todos diferentes, por isso usamos a razão, a empatia e o diálogo para descobrir a forma mais amável de agir em relação aos outros.
Os seres humanos são criaturas comunitárias
A ciência demonstrou que somos intrinsecamente sociais, empáticos, altruístas e compreensivos em relação a conceitos como a justiça e a equidade.
Cultivamos a bondade em nós próprios e na nossa comunidade
Sabemos que os seres humanos também são capazes de crueldade. Mas os humanistas procuram criar um ambiente que cultive o bem em todos nós.
Agimos moralmente porque é bom para todos
Não porque esperamos uma recompensa (como um lugar no céu). Confiamos na razão e na empatia para tomar decisões sobre o que é bom.
O que é bom pode mudar
Refletimos sobre as decisões, as suas consequências e novas informações, e ouvimos e discutimos as coisas com outras pessoas. Estamos abertos a mudar aquilo que consideramos bom.
“Por que razão deveria eu considerar os outros? Pessoalmente, penso que a única resposta possível é a humanista — porque somos seres naturalmente sociais; vivemos em comunidades; e a vida em qualquer comunidade, desde a família para fora, é muito mais feliz, plena e rica se os membros forem amigáveis e cooperantes do que se forem hostis e ressentidos.”
— Margaret Knight
Viver bem
Esta é a única vida que temos
Ela é preciosa. O sentido da vida é vivê-la, procurar a felicidade e a realização no aqui e agora, e não esperar que ela chegue num além imaginário.
“A vida feliz é, numa extensão extraordinária, o mesmo que a vida boa.”
— Bertrand Russell, filósofo
Não existe uma receita única para uma vida boa
Os seres humanos são todos indivíduos, e coisas diferentes fazem-nos felizes. Exercer a curiosidade, ligarmo-nos aos outros, procurar experiências diferentes e melhorar a vida dos outros.
Isto representa o pensamento de muitos humanistas.
“O propósito da vida é vivê-la, saborear a experiência ao máximo, estender a mão ávida e destemidamente para experiências mais novas e ricas.”
— Eleanor Roosevelt, diplomata
As nossas ligações com os outros
Os seres humanos são todos indivíduos, e coisas diferentes fazem-nos felizes. Do ponto de vista do humanista, não existe uma receita única para uma vida boa.
Humanistas como James Hemming, Eleanor Roosevelt e Bertrand Russell escreveram sobre a felicidade como estando na procura de experiências diversas, no exercício da nossa curiosidade, na apreciação da beleza e na criação de ligações significativas com os outros.
“A vida de alguém tem valor enquanto se atribuir valor à vida dos outros, através do amor, da amizade, da indignação e da compaixão.”
— Simone de Beauvoir, escritora
Fazer-se feliz a si próprio e aos outros
Os humanistas de hoje colocam a compaixão e a ligação no centro do viver bem, a par de atividades que enriquecem e aumentam a nossa capacidade de as vivenciar.
Como tantos valores humanistas, estas ideias sobre viver bem são tão antigas quanto a humanidade.
Há mais de dois mil anos, os Epicuristas definiram a felicidade como o objetivo supremo da vida, rejeitando o papel dos deuses para a alcançar.
Viviam em comunidade, partilhando responsabilidades e recompensas, acreditando que a verdadeira realização vinha da amizade, da simplicidade e da harmonia com o mundo natural.
“O prazer é o nosso primeiro bem congénito.
É o ponto de partida de toda a escolha e de toda a aversão, e para ele voltamos sempre, na medida em que fazemos do sentimento a regra pela qual julgamos todas as coisas boas.”
— Epicuro, filósofo grego antigo
Valorizar a criatividade
A curiosidade, a criatividade e a ligação são essenciais para a experiência de ser humano.
Os humanistas valorizam as artes em todas as suas formas pela sua capacidade de despertar a alegria, alargar as nossas perspetivas e engrandecer a nossa humanidade.
As artes relembram-nos a riqueza da experiência humana e a extensão daquilo que temos em comum uns com os outros.
“O meu horizonte sobre a humanidade é alargado ao ler poetas, ver uma pintura, ouvir alguma música, alguma ópera, que nada tem a ver com uma condição humana volátil ou com a luta ou o que quer que seja. Enriquece-me como ser humano.”
— Wole Soyinka, romancista
No breve texto que se segue, faz-se uma apresentação daqueles que são os princípios fundamentais da Filosofia Humanista:
Crença na Razão Humana e no Método Científico:
O nosso conhecimento do Universo é limitado e como tal existem fenómenos para os quais o Homem ainda não encontrou uma explicação. No entanto, o facto de desconhecermos qual a explicação para um fenómeno, não significa que esse seja um fenómeno sobrenatural. Significa simplesmente que estamos perante algo que merece a nossa investigação.
O Homem como um produto da Natureza:
O Homem é um ser constituído por matéria e é produto da Natureza. A consciência do homem está ligada aos mecanismos da sua mente. Como tal, o Humanismo não aceita que o homem tenha uma alma eterna ou consciência após a morte.
Cada ser humano como uma criação única:
Cada ser humano tem algo de único e valioso que o distingue dos demais e que deve ser valorizado. O verdadeiro Humanista é alguém tolerante, que valoriza a diversidade e a diferença existentes em cada indivíduo.
Fé na Humanidade:
O Humanismo acredita nas capacidades da Humanidade para resolver os seus problemas, com base na Razão e na Ciência, sem recurso a qualquer ente superior. Dado que racionalmente não é possível provar a existência ou inexistência de um Deus, os Humanistas são geralmente Agnósticos ou Ateus.
Oposição ao Determinismo, Fatalismo e Predestinação:
Os seres humanos, apesar de condicionados pelo seu passado, possuem capacidade para decidir e alterar o seu futuro.
Crença numa Ética e Moralidade humanas:
A Ética e Moral, enquanto ferramentas essenciais para o funcionamento de uma sociedade harmoniosa, devem ter como base a razão humana. Um Humanista não aceita que lhe imponham valores morais escritos num qualquer livro sagrado ou determinados por suposta inspiração divina. A regra de Ouro de qualquer humanista será “Trata os outros como gostarias que te tratassem a ti próprio”.
Tem como objectivo a Felicidade e o Progresso do Homem:
A todos os níveis e para toda a Humanidade, sem excepções.
Luta pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade:
Como membros da espécie humana, é nossa responsabilidade lutar para que estes valores se tornem uma realidade.
Contributo para a Comunidade:
O Humanismo acredita que o indivíduo pode alcançar uma vida feliz, equilibrando a sua satisfação pessoal, com o empenho em contribuir para o bem estar de todos.
Apreciação da beleza das realizações humanas:
A mente humana tem produzido Arte e Conhecimento do qual se deve orgulhar. O contacto com o produto do génio humano é algo que enriquece e aumenta o prazer pela vida. Todos os seres humanos devem ter a oportunidade de se aperceberem do seu potencial e de o utilizarem em actividades onde se sintam realizados.
Separação entre o Estado e a Igreja:
Todos devem ser livres para seguir a sua fé, qualquer que ela seja. Como tal, para que não haja a imposição das crenças de alguns sobre os outros, facto que demasiadas vezes gerou conflitos e mortes desnecessárias, a fé não deve ser autorizada a imiscuir-se nos assuntos do Estado.
Ênfase na Qualidade de Vida:
Apesar de os Humanistas defenderem uma prosperidade material crescente, o bem estar material não é suficiente para garantir a felicidade e realização de ninguém. O Humanismo discorda consequentemente do materialismo e da tecnologia pela tecnologia.
Breve Introdução à História do Humanismo
O Humanismo tem as suas raízes na Grécia Antiga. Desde então, esteve no centro de períodos de grande avanço no mundo ocidental, como o Renascimento e o Iluminismo. Neste artigo, apresento algumas das figuras e ideias que deram origem ao Humanismo Secular tal como o conhecemos hoje.
O Humanismo na Antiguidade
Sócrates
As primeiras referências a filosofias semelhantes ao Humanismo surgem na Antiguidade, no turbilhão de ideias produzido pelos filósofos da Grécia Antiga. Foi com eles que, pela primeira vez no mundo ocidental, se tentaram encontrar explicações racionais para o mundo que nos rodeia, sem ter por base a religião ou a superstição.
Sócrates, condenado à morte em 399 a.C. por não reconhecer os deuses da cidade e por ser acusado de corromper a juventude, foi talvez o primeiro humanista famoso, embora a palavra “Humanismo” ainda não existisse. Tinha tanta convicção nas suas ideias que se recusou a pedir clemência pelos seus atos, o que o levou a suicidar-se com cicuta.
Sócrates centrava as suas reflexões nos problemas humanos, tentando perceber qual seria o modo de vida ideal para o ser humano. Sobre ele, disse-se que “fazia a filosofia descer do céu à terra, alojava-a nas cidades e trazia-a para dentro dos lares, obrigando as pessoas a pensar sobre a vida e a moral, sobre o bem e o mal”.
Para Sócrates, a virtude identificava-se com o saber, e o ser humano só agia mal por ignorância. Ao contrário de alguns sofistas, que defendiam o relativismo moral, ele considerava que a capacidade de distinguir o certo do errado estava na razão de cada pessoa, e não na sociedade.
Acreditava também que a busca incessante pelo conhecimento era vital. A ele é atribuída a célebre frase: “Só sei que nada sei”. Embora tivesse noção da sua ignorância, foi um dos primeiros a afirmar que era possível ao ser humano alcançar verdades universais sobre o mundo, e que a base para a aquisição de conhecimento era a razão.
Na sua época, as afirmações de Sócrates eram revolucionárias, tal como a sua capacidade de argumentação, que fazia os mais convictos reconhecer que estavam errados e chegar por si próprios a novas conclusões. Embora não nos tenha deixado nenhum registo escrito das suas ideias, só conhecemos o que nos chegou através de outros filósofos, como Platão, a sua influência sente-se até aos dias de hoje.
Os Estóicos
Também o estoicismo, movimento que surgiu por volta de 300 a.C. em Atenas e influenciou a cultura romana até cerca de 200 d.C., deu contribuições importantes para o Humanismo. Destacam-se a sua visão sobre a moral, a importância do raciocínio para o conhecimento da natureza, os princípios de entreajuda entre os indivíduos e o valor de levar uma vida feliz.
Os estóicos afirmavam que a busca por uma moral devia basear-se na observação da natureza. Através dessa observação, seria possível encontrar a justiça universal, presente nas leis naturais e acessível a todos os seres humanos. As leis humanas, por sua vez, seriam uma pálida imitação da lei natural.
O conceito de que o ser humano ocupa um lugar central na reflexão filosófica foi referido por Cícero, um pensador influenciado pelo estoicismo, a quem se atribui a frase: “Para a humanidade, a humanidade é sagrada”.
Os estóicos eram cosmopolitas: integravam-se na sociedade do seu tempo e preocupavam-se com o bem comum. Foram, dos primeiros, no mundo ocidental, a defender a ideia de que todos os seres humanos faziam parte de uma mesma comunidade.
Em resumo, os humanistas da Antiguidade:
Concentravam-se nos seres humanos;
Aceitavam a razão como a base de toda a perceção;
Acreditavam na existência de uma ordem universal;
Acreditavam numa lei natural que se aplicava a todos os seres humanos.
O Humanismo no Renascimento
Após a Idade Média, surge, no século XIV, como reação ao obscurantismo introduzido na Europa pelos excessos do Cristianismo e da Igreja Católica, o Renascimento. O Humanismo renascentista representou um ponto de viragem, afastando-se das preocupações com falsas moralidades e passando a valorizar a importância de viver a vida com plenitude. Foi também um período em que as artes e o conhecimento floresceram, e a Europa progrediu em termos civilizacionais, recuperando parte do seu atraso relativamente a outras partes do mundo.
Leonardo da Vinci
Como exemplo de um homem do Renascimento, podemos apresentar Leonardo da Vinci. Com apenas 17 anos, viajou, em 1469, para Florença, núcleo do Renascimento. Nesta cidade, envolveu-se ativamente em todas as áreas da arte, da cultura e da ciência. Interessou-se pelo estudo da natureza e dos processos naturais, dedicando especial atenção a temas tão diversos como o movimento da água, o sistema circulatório humano, o desenvolvimento fetal e a estrutura das plantas. Além disso, tornou-se inventor, descobrindo princípios que ainda hoje são utilizados em muitas das nossas máquinas.
Foi também um estudioso do ser humano. Criou estudos, esboços e pinturas geniais que revelam uma grande sensibilidade pela beleza da forma humana. Com as suas obras, contribuiu para normalizar a representação do nu na arte, recuperando a tradição clássica e afastando-se das conotações exclusivamente religiosas da Idade Média. O seu fascínio pelo ser humano pode ser observado nas suas pinturas, onde as figuras têm um forte carácter e personalidade, como na “Mona Lisa”, na “Dama com Arminho” ou na “Última Ceia”.
As Ideias do Humanismo Renascentista
A Renascença representou a redescoberta do Humanismo da Antiguidade. Em busca de filosofias e moralidades alternativas às cristãs — que tinham sido dominantes durante a Idade Média —, os humanistas da Renascença estudaram as obras produzidas na Grécia e Roma antigas.
Neste período, tornou-se central o regresso ao passado clássico, à sua arte e cultura, o que influenciou profundamente a educação, que passou a incluir o estudo dos textos gregos e latinos. Este foi também o período em que a Europa iniciou a sua longa caminhada para a secularização, que conduziria ao afastamento da Igreja dos caminhos do poder.
O Renascimento testemunhou os primeiros passos no uso sistemático da observação e experimentação, que viriam a abrir portas para o método empírico mais tarde, fundamental para a Ciência moderna.
Podemos afirmar que o Renascimento contribuiu para a filosofia da época com:
Uma nova atitude em relação à humanidade;
Uma grande vitalidade intelectual;
Uma nova visão do mundo natural;
Um novo método científico que retirou à religião o controlo do conhecimento;
A importância de apreciar a vida ao máximo.
O Iluminismo
O século XVIII trouxe uma nova etapa ao Humanismo, com a chegada do Iluminismo, que teve as suas origens em Inglaterra, mas conheceu o seu auge em França. O Iluminismo foi importante por ter aprofundado muitas das ideias da Renascença, mas também por ter introduzido conceitos originais e fundamentais para o Humanismo.
Voltaire
Este francês foi um dos expoentes do Humanismo Iluminista. Tendo sido preso aos 23 anos devido aos seus versos satíricos sobre as autoridades, foi libertado sob a condição de sair do país. De França, viajou para Inglaterra, onde foi profundamente influenciado pela liberdade de expressão, tolerância religiosa e racionalidade que aí predominavam. Fez da sua vida uma luta constante contra o fanatismo, a intolerância e o abuso de poder, tendo feito ataques particularmente fortes ao poder eclesiástico.
Embora não fosse ateu, lutou contra a opressão religiosa e a crença dogmática. Para ele, nada sabíamos do possível criador do mundo, pois este nunca se poderia ter revelado de forma sobrenatural, como acreditavam judeus, cristãos e muçulmanos. Deus, se existisse, apenas se manifestaria através da natureza e das leis naturais.
Voltaire afirmava ainda que a ignorância e o fanatismo faziam com que os seres humanos se perseguissem e matassem uns aos outros em nome da religião. Considerava absurda a ideia de que se pudessem mudar os acontecimentos do mundo ou influenciar Deus através da oração, pois o mundo era governado por leis imutáveis. Para ele, o esclarecimento e a razão acabariam por vencer, desde que se conseguisse explicar os novos conceitos e ideias do Iluminismo de forma simples e acessível a todos.
As Ideias do Humanismo Iluminista
Tal como os humanistas da Antiguidade, os filósofos do Iluminismo acreditavam no poder da razão humana. O Iluminismo é, aliás, também conhecido como a Idade da Razão. O seu objetivo era estabelecer uma base moral, religiosa e política que acompanhasse a razão intemporal do ser humano.
A ênfase passou a ser colocada na educação, com o objetivo de criar uma sociedade mais esclarecida. Os iluministas acreditavam que tinha chegado o momento de educar as massas, criando assim uma sociedade melhor. Com uma maior educação, seria o fim da miséria e da opressão, pois estas eram causadas apenas pela ignorância e pela superstição. A humanidade daria, assim, grandes passos em frente, e a irracionalidade e a ignorância seriam varridas.
Os iluministas lutavam pelos direitos do indivíduo e do cidadão, o que significava, acima de tudo, a defesa da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão. Os direitos de cada pessoa para expressar as suas opiniões tinham de ser assegurados, quer se tratasse de assuntos religiosos, morais ou políticos.
Como produtos que ainda hoje influenciam as nossas vidas, destacam-se a criação da Enciclopédia — que inspirou muitas das constituições atuais em todo o mundo — e os alicerces que lançaram para a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas.
Os humanistas do Iluminismo:
Revoltaram-se contra as velhas autoridades, como a da Igreja e a da aristocracia;
Defendiam o primado da razão;
Trabalhavam pela educação das massas;
Acreditavam no progresso cultural e tecnológico;
Desejavam banir da religião o fanatismo e o dogma;
Lutavam pela inviolabilidade dos indivíduos, pela liberdade de expressão, pela justiça, pela filantropia e pela tolerância.
Copyright (c) 2002 por Miguel Duarte.
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O tipo de resposta que se recebe à questão “O que é o humanismo?” depende do tipo de humanista a que se pergunta!
A palavra “humanismo” tem diferentes significados. Como, com frequência, autores e oradores não clarificam qual o significado a que se referem, quem tenta explicar o que é o humanismo pode facilmente tornar-se numa fonte de confusão. Felizmente, cada significado da palavra constitui um tipo diferente de humanismo e os diferentes tipos são facilmente separados e definidos pelo uso de um adjectivo apropriado. Torna-se, então, relativamente fácil resumir desta forma as variedades de humanismo.
Humanismo Literário
É a devoção às humanidades ou cultura literária.
Humanismo Renascentista
É o espírito de procura de conhecimento que se desenvolveu no final da Idade Média com o renascer dos textos clássicos e uma confiança renovada na capacidade do ser humano em determinar por si próprio a verdade e a falsidade.
Humanismo Cultural Ocidental
É um nome apropriado para a tradição racional e empírica que se originou em grande parte na Grécia e Roma antigas, evoluiu durante a história europeia e constitui, no presente, um pilar básico da postura Ocidental perante a ciência, a teoria política, a ética e a lei.
Humanismo Filosófico
Aplica-se a qualquer perspectiva ou atitude perante a vida centrada nos interesses e necessidades humanas. As subcategorias deste tipo incluem o Humanismo Cristão e o Humanismo Moderno.
Humanismo Cristão
É definido pelo Terceiro Novo Dicionário Internacional Webster como “uma filosofia que defende a auto-realização do homem dentro da estrutura dos princípios cristãos”. Esta fé mais centrada no homem é, em grande parte, um produto da Renascença e constituiu uma parcela do humanismo Renascentista.
Humanismo Moderno
Também chamado Humanismo Naturalista, Humanismo Científico, Humanismo Ético e Humanismo Democrático, é definido por um dos seus principais proponentes, Corliss Lamont, como “uma filosofia naturalista que rejeita todo o sobrenaturalismo e se apoia com primazia na razão e ciência, na democracia e compaixão humana”. O Humanismo Moderno tem uma origem dupla, secular e religiosa, e estas constituem as suas subcategorias.
Humanismo Secular
É um desenvolvimento do iluminismo racionalista do séc. XVIII e do livre-pensamento do séc. XIX. Muitos grupos seculares, como o Council for Secular Humanism (Conselho pelo Humanismo Secular) e a American Rationalist Federation (Federação Racionalista Americana), e muitos filósofos académicos e cientistas não filiados entre si, defendem esta filosofia.
Humanismo Religioso
Originou, em grande parte, da Cultura Ética, Unitarianismo e Universalismo. No presente, muitas congregações Unitárias Universalistas e todas as sociedades de Cultura Ética descrevem-se como humanistas no senso moderno.
A maior ironia em lidar com o Humanismo Moderno é a tendência dos seus defensores em discordarem se esta visão do mundo é ou não religiosa. Os que o vêem como uma filosofia são os Humanistas Seculares enquanto os que o vêem como uma religião são os Humanistas Religiosos. Este diferendo dura desde o início do séc. XX quando as tradições secular e religiosa convergiram e deram origem ao Humanismo Moderno.
Ambos os Humanistas Seculares e Religiosos partilham a mesma visão do mundo e os mesmos princípios básicos. Isto torna-se claro pelo facto de muitos Humanistas Seculares e muitos Humanistas Religiosos terem estado entre os signatários do Manifesto Humanista I em 1933, Manifesto Humanista II em 1973 e Manifesto Humanista III em 2003. Na perspectiva apenas filosófica não existem diferenças entre os dois. É apenas na definição de religião e na prática da filosofia que os Humanistas Seculares e Religiosos de facto discordam.
A definição de religião usada pelos Humanistas Religiosos é, com frequência, funcional. Religião é o que serve as necessidades pessoais e sociais de um grupo de pessoas que partilham a mesma visão filosófica do mundo.
Ao serviço das necessidades pessoais, o Humanismo Religioso oferece uma base para valores morais, um conjunto inspirador de ideais, métodos para lidar com as realidades mais duras da vida, fundamentos para viver a vida de forma jovial, e um sentimento global de propósito e significado.
Para servir as necessidades sociais, as comunidades humanistas religiosas (como as sociedades Cultura Ética e muitas igrejas Universalistas Unitárias) oferecem um sentimento de pertença, uma estrutura institucional para a educação moral das crianças, programas de férias partilhadas com pessoas com as mesmas ideias, o desempenho de ritos de passagem ideologicamente consistentes (casamentos, boas vindas de crianças, celebrações da maioridade, e por diante), uma oportunidade para a afirmação da filosofia de vida de uma pessoa, e um contexto histórico para as suas ideias.
Os Humanistas Religiosos defendem com frequência que a maior parte dos seres humanos têm necessidades pessoais e sociais que apenas podem ser satisfeitas pela religião (definida no sentido funcional já mencionado). Não concordam que uma pessoa deva ter de escolher entre satisfazer estas necessidades num contexto de fé tradicional ou não as satisfazer de todo; indivíduos que não se sentem em casa na religião tradicional devem conseguir encontrar uma casa na religião não tradicional.
Um jornalista perguntou-me uma vez se esta definição funcional de religião não correspondia a retirar o conteúdo e deixar apenas o invólucro superficial. A minha resposta foi que a verdadeira substância da religião é o papel que ela desempenha na vida das pessoas e na vida da comunidade. As Doutrinas podem diferir de denominação para denominação, e novas doutrinas podem substituir outras mais antigas, mas o propósito que a religião tem para as pessoas mantém-se o mesmo. Se definirmos a substância de algo como aquilo que mais perdura e é universal, então é a função da religião que é a sua substância, o seu conteúdo.
Tendo percepção destes factos, os Humanistas Religiosos certificam-se que nunca é permitido que a doutrina subverta o propósito mais elevado de satisfazer as necessidades humanas no aqui e agora. É por isso que as cerimónias humanistas de boas vindas a crianças são preparadas para cada comunidade e os serviços humanistas de casamento são feitos por medida para satisfazer as necessidades especiais do casal e das suas famílias. É por isso que os serviços fúnebres humanistas se concentram não em salvar a alma dos entes queridos que partiram, mas em proporcionar aos que sobrevivem uma experiência pessoal que relembra como eram em vida os que faleceram. É por isso que os humanistas não proselitizam as pessoas no seus leitos de morte. Acham preferível permitir às pessoas falecerem da forma que viveram, sem serem perturbadas pelas agendas de terceiros.
Finalmente, o Humanismo Religioso é “fé em acção”. No seu ensaio “A Fé de um Humanista”, o Ministro Universalista Unitário (UU) Kenneth Phifer declara:
O Humanismo ensina-nos que é imoral esperar que Deus aja por nós. Devemos agir para parar as guerras e os crimes e a brutalidade desta e de épocas futuras. Temos poderes extraordinários. Temos um elevado grau de liberdade em escolher o que iremos fazer. O Humanismo diz-nos que seja qual for a nossa filosofia do universo, em última instância a responsabilidade pelo tipo de mundo em que vivemos reside em nós.
Agora, enquanto os Humanistas Seculares possam concordar com muito do que os Humanistas Religiosos fazem, negam que esta actividade seja chamada “religião”. Não se trata de um mero debate semântico. Os Humanistas Seculares defendem que existem tantas coisas na religião merecedoras de crítica que o bom nome do humanismo não deve ser manchado por associação.
Os Humanistas Seculares referem-se com frequência aos Universalistas Unitários como “humanistas que ainda não abandonaram os hábitos da igreja”. Mas os Universalistas Unitários por vezes contrapõem que um Humanista Secular é simplesmente um “Unitário sem igreja”.
O autor polémico Salman Rushdie foi, nos últimos anos, talvez o exemplar mais conhecido da visão do mundo Humanista Secular. Eis o que disse no programa da ABC Nightline a 13 de Fevereiro de 1989, em relação ao seu livro Os Versículos Satânicos.
(O meu livro diz) que existe um antigo, antigo conflito entre a visão secular do mundo e a visão religiosa do mundo, e, em particular, entre textos que reclamam serem de inspiração divina e textos que são inspirados pela imaginação… Eu não confio em pessoas que anunciam serem portadores da verdade e que procuram orquestrar o mundo de acordo com essa verdade. Penso que essa é uma posição no mundo muito perigosa. Necessita ser desafiada. Necessita ser desafiada constantemente de todo o tipo de maneiras, e foi isso que tentei fazer.
Na edição de 2 de Março de 1989 da New York Review explica que em Os Versículos Satânicos :
tentei dar uma visão secular e humanista do nascimento de uma grande religião mundial. Por isto, aparentemente, devo ser julgado … “Hoje estão a ser desenhadas linhas de batalha,” exclama um dos meus personagens. “O Secular contra o religioso, a luz contra a escuridão. É melhor escolheres de que lado estás”.
A tradição Humanista Secular é em parte uma tradição de desafio, uma tradição que remonta à Grécia antiga. Podem-se ver, mesmo na mitologia grega, temas humanistas que raramente, se alguma vez, se manifestam nas mitologias de outras culturas. E não foram certamente repetidos pelas religiões modernas. O melhor exemplo é a personagem Prometeu.
Prometeu sobressai porque era admirado pelos antigos gregos como aquele que desafiou Zeus. Roubou o fogo dos deuses e trouxe-o de volta à terra. Por isso foi punido. E, no entanto, manteve o seu repto durante as suas torturas. Esta é uma das fontes do desafio humanista à autoridade.
A próxima vez que se vê na mitologia uma personagem Prometeana verdadeiramente heróica é Lúcifer no Paraíso Perdido de John Milton. Só que agora é o Diabo. Ele é o mal. Quem quer que se atreva a desafiar Deus deve ser a maldade personificada. Esta parece ser uma certeza da religião tradicional. Mas os antigos gregos não concordavam. Para eles, Zeus, apesar de todo o seu poder, ainda podia estar errado.
Imaginem o quão chocada ficou uma amiga quando lhe contei a minha visão dos “padrões morais de Deus”. Eu disse, “Se existisse um deus assim, e esses fossem de facto os seus princípios morais ideais, eu seria tolerante. Ao fim e ao cabo, Deus tem direitos às suas opiniões!”
Apenas humanistas se sentirão inclinados em falar desta maneira. Apenas humanistas podem sugerir que, mesmo que haja deus, não há problema em discordar dela ou dele. No Eutífron de Platão, Sócrates mostra que Deus não é necessariamente a fonte do bem, ou o próprio bem. Sócrates pergunta se algo é bom porque Deus o ordena, ou se Deus o ordena porque já é bom. No entanto, desde o tempo dos antigos gregos, nenhuma religião maioritária tem permitido este tipo de interrogação da vontade de Deus ou tornou um personagem desobediente num herói. São os humanistas que reclamam esta tradição.
Afinal, muito do progresso humano tem sido em desafio à religião ou à aparente ordem natural. Quando deflectimos um raio ou evacuamos uma cidade antes de ser atingida por um tornado, diminuímos o impacto dos denominados “actos de Deus”. Quanto aterramos na Lua, desafiamos a força gravitacional da Terra. Quando procuramos uma solução para a crise do SIDA, estamos a contrariar, como argumentou o já falecido Reverendo Jerry Falwell, “a punição de Deus aos homossexuais”.
Politicamente, o desafio às autoridades religiosas e seculares levou à democracia, direitos humanos, e à protecção do ambiente. Os humanistas não pedem desculpa por isto. Os humanistas não manipulam nenhuma doutrina bíblica para justificar estas acções. Reconhecem o desafio Prometeano da sua resposta e orgulham-se nisso. Pois esta resposta é parte da tradição.
Outro aspecto da tradição Humanista Secular é o cepticismo. O modelo histórico do cepticismo é Sócrates. Porquê Sócrates? Porque, depois de todo este tempo, ele ainda se destaca sozinho entre todos os santos e sábios famosos, da antiguidade ao presente. Todas as religiões têm os seus sábios. O Judaísmo tem Moisés, o Zoroastrismo tem Zaratustra, o Budismo tem Buda, o Cristianismo tem Jesus, o Islão tem Maomé, o Mormonismo tem Joseph Smith e Bahai tem Baha-u-lah. Cada um destes indivíduos reclamava saber a verdade absoluta. Apenas Sócrates, sozinho entre sábios famosos, dizia não saber nada. Todos desenharam um conjunto de regras ou leis, excepto Sócrates. Ao invés, Sócrates deu-nos um método – um método para questionar as regras dos outros, de contra-interrogação. E Sócrates não morreu pela verdade, morreu pelos direitos e na defesa do estado de direito. Por estas razões, Sócrates é o modelo de humanista céptico. Ergue-se como um símbolo, tanto do racionalismo Grego como da tradição humanista que nele se originou. E nenhum santo ou sábio igualmente reconhecível se juntou à sua companhia desde a sua morte.
Devido à forte identificação Humanista Secular com as imagens de Prometeu e Sócrates, e uma rejeição igualmente forte da religião tradicional, o Humanista Secular concorda, de facto, com Tertuliano que disse: O que é que Jerusalém tem a ver com Atenas?.
Isto é, os Humanistas Seculares identificam-se mais com a herança racional simbolizada pela antiga Atenas do que com a herança de fé representada pela antiga Jerusalém.
Mas não assumam que o Humanismo Secular é apenas negativo. O lado positivo é a libertação, expressa da melhor forma por estas palavras do agnóstico Americano Robert G. Ingersoll:
Quando me convenci que o universo é natural, que todos os fantasmas e deuses são mitos, entrou no meu cérebro, na minha alma, em todas as gotas do meu sangue a sensação, o sentimento, a alegria da liberdade. As paredes da minha prisão derrocaram e caíram. A masmorra foi inundada por luz e todos os ferrolhos e grades e algemas se tornaram pó. Já não era um servente, um servo ou um escravo. Não tinha nenhum mestre em todo o mundo, nem mesmo no espaço infinito. Eu era livre – livre para pensar, para expressar os meus pensamentos – livre para viver o meu próprio ideal, livre para viver para mim e para aqueles que amava, livre para usar todas as minhas capacidades, todos os meus sentidos, livre para espalhar as asas da imaginação, livre para investigar, para pensar o futuro e sonhar e ter esperança, livre para ajuizar e decidir por mim próprio… Era livre! Ergui-me e sem medo, alegremente enfrentei todos os mundos.
O suficiente para fazer um Humanista Secular gritar “aleluia!”.
O facto de o humanismo poder ser, ao mesmo tempo, tanto religioso como secular corresponde a um paradoxo, claro, mas não é o único paradoxo deste género. Outro paradoxo é que tanto Humanistas Religiosos como Seculares colocam a razão acima da fé, em geral até evitarem a fé por inteiro. O humanismo dá normalmente ênfase à dicotomia entre razão e fé, com os humanistas a marcarem posição do lado da razão. Desta forma, o Humanismo Religioso não deve ser encarado como uma fé alternativa, mas sim com um modo alternativo de se ser religioso.
Estas características paradoxais requerem não só um tratamento único do Humanismo Religioso no estudo das religiões do mundo como ajudam também a explicar o contínuo desacordo, tanto dentro e fora do movimento humanista, sobre se o humanismo é de todo uma religião.
Os paradoxos não terminam aqui. O Humanismo Religioso não tem deus, não tem crença no sobrenatural, não acredita na vida para além da morte, e não tem crença numa fonte “superior” de valores morais. Alguns aderentes iriam até tão longe quanto afirmar que é uma religião sem “crenças” de qualquer género – considerando-se preferível o conhecimento baseado em evidências. Para além disso, a noção comum de “conhecimento religioso” enquanto conhecimento reunido por meios não científicos não é aceite na epistemologia Humanista Religiosa.
Como tanto o Humanismo Religioso como o Humanismo Secular se identificam com o Humanismo Cultural, ambos abraçam prontamente a ciência moderna, os princípios democráticos, os direitos humanos e a liberdade de investigação. A rejeição pelo humanismo dos conceitos de pecado e culpa, especialmente quando relacionados com a ética sexual, coloca-o em harmonia com a sexologia e educação sexual contemporâneas, assim como com aspectos da psicologia humanística. E a história de defesa do estado secular faz do humanismo mais uma voz na defesa da separação entre estado e igreja.
Todas estas características levaram à antiga acusação que se ensina na escola pública a “religião do humanismo secular”.
O ponto mais óbvio a esclarecer neste contexto é que algumas religiões agarram-se a doutrinas que colocam os seus seguidores em conflito com certas propriedades do mundo moderno. Outras religiões não o fazem. Por exemplo, muitos Cristãos Evangélicos, em especial os que preenchem as fileiras da “direita religiosa”, rejeitam a teoria da evolução. Por essa razão, vêem o ensino da evolução nas disciplinas de ciência como uma afronta às suas sensibilidades religiosas. Para defenderem as suas crenças da exposição a ideias inconsistentes com elas, estes crentes classificam a evolução como “Humanismo” e dizem que o seu ensino em exclusividade nas aulas de ciências constitui uma brecha na parede Jefersoniana de separação entre igreja e estado.
É de facto verdade que os Humanistas Religiosos, ao abraçarem a ciência moderna, abraçaram também a evolução. Mas indivíduos que seguem as principais correntes do Protestantismo, Catolicismo e Judaísmo também abraçam a ciência moderna – e, por isso, também a evolução. Acontece que a evolução está hoje no pino do desenvolvimento da ciência e é, desta forma, ensinada nas aulas de ciências. O facto de a evolução ter sido identificada com o Humanismo Religioso e não com a corrente principal do Cristianismo ou Judaísmo é um resultado estranho da política na América do Norte. Mas trata-se de um exemplo típico de toda a controvérsia sobre o humanismo nas escolas.
Outras áreas de estudo têm sido identificadas igualmente com o humanismo, incluindo a educação sexual, a educação de valores (values education), a educação mundial (global education) e, até, a escrita criativa. Existem Cristãos fundamentalistas que nos querem convencer que a “ética de situação (situation ethics)” foi inventada pelo Humanista do Ano de 1974 Joseph Fletcher. Mas as considerações situacionais têm sido um elemento da jurisprudência Ocidental há pelo menos 2000 anos! De novo, os Humanistas Seculares e Religiosos, estando em harmonia com os desenvolvimentos recentes, estão confortáveis com tudo isto, assim como estão os seguidores da maioria das principais religiões. Não há justificação para se verem estas ideias como a herança exclusiva do humanismo. Existem, ainda, razões seculares independentes para a oferta pelas escolas do currículo ensinado. Uma parcialidade a favor da “religião do humanismo secular” nunca foi um factor no seu desenvolvimento e implementação.
A acusação de infiltração humanista nas escolas públicas parece ser o resultado de confusão entre Humanismo Cultural e Humanismo Religioso. Apesar de o Humanismo Religioso abraçar o Humanismo Cultural, isto não justifica separar o Humanismo Cultural, rotulando-o como o legado exclusivo de uma religião não teísta e naturalista chamada Humanismo Religioso, e declará-lo um invasor. Fazê-lo seria virar as costas a uma parte significante da nossa cultura e eleger as normas do fundamentalismo cristão como juízes do que é ou não é religioso. Uma compreensão mais profunda da cultura Ocidental ajudaria a clarificar as questões relacionadas com a controvérsia sobre o humanismo nas escolas públicas.
Ao deixar para trás as áreas de confusão, torna-se possível explicar, de forma simples e directa, o que é exactamente a filosofia do Humanismo Moderno. É fácil resumir as ideias base, comuns tanto aos Humanistas Religiosos como aos Humanistas Seculares. Essas ideias são as seguintes:
O Humanismo é uma daquelas filosofias para as pessoas que pensam por si próprias. Não há uma área de pensamento que um Humanista tenha medo de desafiar e explorar.
O Humanismo é uma filosofia centrada nos meios humanos para compreender a realidade. Os Humanistas não reclamam possuir ou ter acesso a conhecimento supostamente transcendental.
O Humanismo é uma filosofia de razão e ciência na procura do conhecimento. Desta forma, quando se chega à questão dos meios mais válidos para adquirir conhecimento do mundo, os Humanistas rejeitam a fé arbitrária, autoridade, revelação e estados alterados de consciência.
O Humanismo é uma filosofia da imaginação. Os Humanistas reconhecem que os sentimentos intuitivos, palpites, especulação, luzes súbitas de inspiração, emoções, estados alterados de consciência e até experiências religiosas, apesar de não serem métodos válidos para a aquisição de conhecimento, mantêm-se fontes úteis de ideias que podem conduzir a novas formas de olhar o mundo. Estas ideias, após um escrutínio racional sobre a sua utilidade, podem ser aplicadas, frequentemente como formas alternativas de resolução de problemas.
O Humanismo é uma filosofia para o aqui e agora. Os Humanistas encaram os valores humanos como fazendo sentido apenas no contexto da vida humana, em vez de no contexto de uma promessa de uma suposta vida para além da morte.
O Humanismo é uma filosofia de compaixão. A ética Humanista preocupa-se apenas com dar resposta às necessidades e problemas humanos – tanto para o indivíduo como para a sociedade – e não dá qualquer atenção à satisfação dos desejos de supostas entidades teológicas.
O Humanismo é uma filosofia realista. Os Humanistas reconhecem a existência de dilemas morais e a necessidade de se considerarem cuidadosamente as consequências imediatas e futuras das decisões morais.
O Humanismo está em sintonia com a ciência actual. Desta forma, os Humanistas reconhecem que vivemos num universo natural de grade tamanho e idade, que evoluímos neste planeta durante um longo período de tempo, que não existe nenhuma evidência convincente de uma “alma” separável, e que os seres humanos têm certas necessidades intrínsecas que formam, efectivamente, a base de qualquer sistema de valores orientado para o homem.
O Humanismo está em sintonia com o pensamento social instruído do presente. Os Humanistas estão empenhados com as liberdades civis, direitos humanos, separação entre igreja e estado, a extensão da democracia participativa, não apenas no governo mas no local de trabalho e educação, a expansão da consciência global e troca de produtos e ideias internacionalmente, e com uma abordagem à resolução de problemas sociais aberta, uma abordagem que permite o teste de novas alternativas.
O Humanismo está em sintonia com novos desenvolvimentos tecnológicos. Os Humanistas estão disposto a participar em novas descobertas científicas e tecnológicas de forma a exercerem a sua influência nestas revoluções conforme se vão tornando realidade, especialmente com o objectivo de protegerem o ambiente.
O Humanismo é, em síntese, uma filosofia para quem está apaixonado pela vida. Os Humanistas assumem responsabilidade pelas suas próprias vidas e saboreiam a aventura de serem parte de novas descobertas, procurando novos conhecimentos, explorando novas opções. Em vez de encontrarem conforto em respostas pré-fabricadas às grandes questões da vida, os humanistas apreciam a abertura de uma procura sem fim determinado e a liberdade de descoberta que dela advém.
Apesar de haver quem sugira que esta filosofia sempre teve uma adesão fraca e excêntrica, os factos da história mostram o contrário. Entre os aderentes modernos do humanismo contam-se Margaret Sanger, fundadora da Planned Parenthood (Reprodução Planeada) e Humanista do Ano da American Humanist Association (Associação Humanista Americana) em 1957; Os pioneiros da psicologia humanística Carl Rogers e Abraham Maslow, também Humanistas do Ano; Albert Einstein, que se identificou com o humanismo nos anos 30 do séc. XX; Bertrand Russell, que aderiu à Associação Humanista Americana nos anos 60 do séc. XX; o pioneiro dos direitos cívicos A. Philip Randoph, que foi o Humanista do Ano em 1970; e o futurista R. Buckminister Fuller, Humanista do Ano em 1969.
A Organização das Nações Unidas (ONU) é um exemplo específico do humanismo em acção. O primeiro Director Geral da UNESCO, a organização da ONU que promove a educação, ciência e cultura, foi o Humanista do Ano de 1962 Julian Huxley, que praticamente compôs os estatutos da UNESCO sozinho. O primeiro Director Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) foi o Humanista do Ano de 1959 Brock Chisholm. Um dos maiores feitos da OMS foi a erradicação da varíola da face da terra. E o primeiro Director Geral da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) foi o Humanista Britânico John Boyd Orr.
Entretanto, humanistas como o Humanista do Ano de 1980 Andrei Sakharov ergueram-se em defesa dos direitos humanos onde quer que esses direitos fossem suprimidos. Betty Friedan e Gloria Steinem lutaram pelos direitos das mulheres, Mathilde Krim combateu a epidemia do SIDA, e Margaret Atwood mantém-se como uma das mais vocais defensoras da liberdade literária - todos humanistas.
A lista de cientistas é notável: Stephen Jay Gould, Donald Johanson, Richard Leakey, E.O. Wilson, Francis Crick, Jonas Salk, Steven Weinberg, Carolyn Porco, e muitos outros – todos sócios da Associação Humanista Americana, cujo presidente nos anos 80 do séc. XX foi o já falecido cientista e escritor Isaac Asimov.
A lista de sócios de organizações humanistas, tanto religiosas como seculares, lê-se como um Quem é quem. Através destas pessoas, e muitas outras menos conhecidas, a filosofia humanista teve um impacto no nosso mundo muito desproporcionado em relação ao número de aderentes. Isso diz-nos algo sobre o poder de ideias que funcionam.
Talvez este facto tenha levado o filósofo George Santayana a declarar que o humanismo é “um feito, não uma doutrina”.
Em resumo, com o humanismo moderno encontramos uma postura perante a vida ou uma visão do mundo que está em sintonia com o conhecimento moderno; é inspirador, socialmente consciente e com significado pessoal. Não é apenas a atitude da pessoa que pensa mas também da pessoa que sente, já que inspirou as artes tanto quanto inspirou as ciências; filantropia tanto quanto crítica. E mesmo na crítica é tolerante, defendendo os direitos de todas as pessoas em escolher outros caminhos, em falarem e escreverem livremente, em viverem as suas vidas de acordo com as suas luzes.
A escolha é, por isso, sua. É um humanista?
Não precisa de responder “sim” ou “não”. Pois não se trata de uma proposição “ou isto ou aquilo”. O Humanismo é seu – para adoptar ou simplesmente usar como fonte de inspiração. Pode usar pouco ou muito, bebericar ou sorver até à última gota.
A decisão é sua.
Este é o texto de uma palestra que tem sido apresentada a várias audiências ao longo dos anos.
O Humanismo Secular é um termo que tem sido usado nos últimos trinta anos para descrever uma visão de mundo com os seguintes elementos e princípios:
Uma convicção de que dogmas, ideologias e tradições, religiosas, políticas ou sociais, devem ser avaliados e testados por cada individuo em vez de simplesmente aceites por uma questão de fé.
Compromisso com o uso da razão crítica, evidência factual, e método científico de pesquisa, em lugar da fé e misticismo, na busca de soluções para os problemas humanos e respostas para as questões humanas mais importantes.
Uma preocupação primeira com a satisfação, desenvolvimento e criatividade tanto para o indivíduo quanto para a humanidade em geral.
Uma busca constante pela verdade objectiva, com o entendimento que nossa percepção imperfeita dessa verdade é constantemente alterada por novos conhecimentos e experiências.
Uma preocupação com a vida presente e um compromisso de dotá-la de sentido através de um melhor conhecimento de nós mesmos, nossa história, nossas conquistas intelectuais e artísticas, e as perspectivas daqueles que diferem de nós.
Uma busca por princípios viáveis de conduta ética (tanto individuais quanto sociais e políticos), julgando-os por sua capacidade de melhorar o bem-estar humano e a responsabilidade individual.
Uma convicção de que com a razão, um mercado aberto de ideias, boa vontade, e tolerância, poder-se-á progredir na construção de um mundo melhor para todos nós.
Como os Humanistas Seculares vêem as alegações religiosas e sobrenaturais?
Os Humanistas Seculares seguem uma perspectiva ou filosofia chamada de Naturalismo, na qual as leis físicas do universo não são subordinadas a entidades imateriais ou sobrenaturais como demónios, deuses, ou outros seres “espirituais” fora do domínio do universo natural. Eventos sobrenaturais como milagres (que contradizem as leis físicas) e fenómenos psíquicos, como percepção extra-sensorial, telepatia, etc., não são descartados automaticamente, mas são vistos com um alto grau de cepticismo.
Os Humanistas Seculares são Ateus?
Os Humanistas Seculares tipicamente descrevem-se como ateus (sem crença em um deus e bastante cépticos quanto à possibilidade de haver um) ou agnósticos (sem crença em um deus e em dúvida quanto à possibilidade). Os Humanistas Seculares têm origens filosóficas e religiosas bastante diversas, desde o fundamentalismo cristão até sistemas de crenças liberais e o ateísmo de nascença. Alguns alcançaram conforto em uma posição humanista secular após um período de deísmo. Deístas são aqueles que expressam um sentimento vago ou místico de que uma inteligência criativa pode estar, ou em algum momento esteve, conectada ao universo ou envolvida com a sua criação, mas que é agora não-existente ou não está ocupada com o seu funcionamento.
Os Humanistas Seculares não dependem de deuses ou outras forças sobrenaturais para resolver seus problemas ou oferecer orientação para suas condutas. Em vez disso, dependem da aplicação da razão, das lições da história, e experiência pessoal para formar um fundamento moral e ético e para criar sentido na vida. Humanistas Seculares vêem a metodologia da ciência como a mais confiável fonte de informação sobre o que é factual ou verdadeiro sobre o universo que todos partilhamos, reconhecendo que novas descobertas sempre estarão alterando e expandindo nossa compreensão deste, e possivelmente mudarão também nossa abordagem de assuntos éticos.
Qual é a Origem do Humanismo Secular?
O Humanismo Secular enquanto um sistema filosófico organizado é relativamente novo, mas os seus fundamentos podem ser encontrados nas ideias de filósofos gregos clássicos como os Estóicos e Epicurianos, bem como no Confucionismo Chinês. Estas posições filosóficas buscavam as soluções de problemas humanos em seres humanos em vez de deuses.
Durante a Idade das Trevas da Europa Ocidental, as filosofias humanistas foram suprimidas pelo poder político da igreja. Aqueles que ousavam expressar opiniões em oposição aos dogmas religiosos dominantes eram banidos, torturados ou executados. Foi apenas na Renascença dos séculos XIV a XVII, com o desenvolvimento da Arte, Música, Literatura, Filosofia e as grandes navegações, que a consideração à alternativa humanista a uma existência centrada em Deus passou a ser permitida. Durante o Iluminismo do século XVIII, com o desenvolvimento da ciência, os filósofos finalmente começaram a criticar abertamente a autoridade da igreja e a envolver-se no que se tornou conhecido como “Livre-Pensamento”.
O movimento Livre-Pensador do XIX na América do Norte e Europa Ocidental finalmente tornou possível para o cidadão comum a rejeição da fé cega e superstição sem o risco de perseguição. A influência da ciência e tecnologia, conjuntamente com os desafios à ortodoxia religiosa por célebres livres-pensadores como Mark Twain e Robert G. Ingersoll trouxeram elementos da filosofia humanista até mesmo para igrejas cristãs tradicionais, que se tornaram mais preocupadas com este mundo, e menos com o próximo.
No século XX cientistas, filósofos e teólogos progressistas começaram a organizar-se num esforço para promover a alternativa humanista às tradicionais perspectivas baseadas na fé. Esses primeiros organizadores classificaram o humanismo como uma religião não teísta que preencheria a necessidade humana de um sistema ético e filosófico organizado para orientar as nossas vidas, uma “espiritualidade” sem o sobrenatural. Nos últimos trinta anos, aqueles que rejeitam o sobrenaturalismo enquanto opção filosófica viável adoptaram o termo “Humanismo Secular” para descrever sua postura de vida não religiosa.
Os seus críticos frequentemente tentam classificar o Humanismo Secular como uma religião. No entanto, o Humanismo Secular carece das características essenciais de uma religião, inclusivamente a crença em uma divindade e uma ordem transcendente que a acompanha. Os humanistas seculares mantêm que assuntos referentes a ética, conduta social e legal adequadas, e metodologia da ciência são filosóficos e não pertencem ao domínio da religião, que lida com o sobrenatural, místico e transcendente.
Conclusão
O Humanismo Secular, consequentemente, é uma filosofia e perspectiva que se concentra nos assuntos humanos e emprega métodos racionais e científicos para lidar com a larga variedade de assuntos importantes para todos nós. Ao mesmo tempo que o Humanismo Secular é adverso aos sistemas religiosos baseados em fé em muitos pontos, ele se dedica ao desenvolvimento do indivíduo e da humanidade em geral. Para alcançar esta meta, o Humanismo Secular encoraja a dedicação a um conjunto de princípios que promovem o desenvolvimento da tolerância e compaixão e uma compreensão dos métodos da ciência, análise crítica, e reflexão filosófica.
Agnóstico: A palavra “agnóstico” é por vezes utilizada para descrever alguém que não consegue decidir se acredita ou não num deus. Estará, talvez, “em cima do muro”. No entanto, o uso original da palavra servia para descrever alguém que acredita que não podemos saber com certeza se um deus existe ou não, e é nesse sentido que muitas pessoas não-religiosas a utilizam hoje em dia.
Algumas pessoas descrevem-se como sendo tanto agnósticas quanto ateias (ou ateus agnósticos). Aceitam que não podemos saber com certeza se um deus existe ou não (é impossível provar que algo não existe), mas não acreditam em nenhum e vivem as suas vidas em conformidade.
Apateísta: É um termo mais recente mas muito relevante para a sociedade atual. O apateísmo (uma amálgama de apatia e teísmo) descreve a atitude de alguém que é completamente indiferente à existência ou não-existência de Deus ou de deuses. Para um apateísta, a questão religiosa não tem qualquer interesse, impacto ou relevância na sua vida quotidiana, nas suas decisões morais ou na forma como vê o mundo. Ao contrário de um ateu ou agnóstico militante, que pode debater ativamente o tema, o apateísta simplesmente não quer saber.
Ateu: A palavra “ateu” é utilizada para descrever alguém que não acredita num deus. Esta ausência de crença não é uma posição de fé, mas baseia-se tipicamente no facto de a pessoa não ver evidências ou razões válidas ou convincentes para acreditar num deus ou em deuses. No entanto, saber que alguém é ateu não nos diz mais nada sobre as suas crenças mais amplas, valores ou visão do mundo. Muitos ateus terão uma abordagem humanista da vida, mas alguns não. Algumas pessoas que consideram ter uma identidade religiosa (por exemplo, judaica ou anglicana), talvez por razões familiares ou culturais, também são ateias porque não acreditam num deus.
Cético: Hoje em dia, significa habitualmente alguém que duvida da verdade das crenças religiosas e de outras crenças sobrenaturais ou “paranormais”. (“Cético” também tem um significado filosófico especial: alguém que rejeita ou é cético em relação a todas as alegações de conhecimento).
Espiritualmente não-religioso (ou “Sem religião, mas espiritual”): Descreve um grupo de pessoas que rejeitam as religiões organizadas, os seus dogmas e as suas instituições (igrejas), mas que ainda sentem necessidade de cultivar uma vida interior, um sentido de transcendência, conexão com o universo ou com a natureza. Não se identificam como ateias materialistas, preferem procurar o bem-estar e o significado da vida através de práticas individuais (como a meditação ou o ioga) ou de filosofias orientais secularizadas, sem se vincularem a nenhuma estrutura eclesiástica.
Humanista: Um humanista é uma pessoa não-religiosa que acredita que esta é a única vida que temos, que podemos viver vidas significativas e plenas no aqui e agora, e que devemos apoiar os outros a fazer o mesmo. Acreditam que a ciência fornece a melhor forma de compreender o mundo à nossa volta e não veem evidências convincentes para acreditar num deus, numa força superior ou em quaisquer aspetos sobrenaturais da realidade. Tomam as suas decisões éticas com base na empatia e na preocupação com o bem-estar dos seres humanos e de outros animais sencientes, e tentam dar uma contribuição positiva para a construção de uma sociedade melhor.
Humanista Secular: Embora o termo “humanista” já implique a não-religião em muitos contextos internacionais, em Portugal e noutros países de matriz católica, o termo “humanismo” é por vezes reivindicado por correntes religiosas (como o humanismo cristão). Por isso, muitos não-religiosos preferem autodenominar-se especificamente “humanistas seculares”. Esta designação deixa claro que a sua postura ética, moral e filosófica se baseia estritamente na razão, na ciência e na experiência humana, sem qualquer recurso a dogmas religiosos, revelações divinas ou textos sagrados.
Naturalista: Um naturalista (no contexto da visão do mundo e da filosofia) é alguém que defende o naturalismo filosófico. Trata-se da convicção de que o mundo natural, o universo físico regido pelas leis da natureza que a ciência estuda, é tudo o que existe. Os naturalistas rejeitam a existência de entidades sobrenaturais, tais como deuses, espíritos, feitiçaria, milagres ou uma “vida além-túmulo”, por considerarem que não há provas científicas da sua existência. Para um naturalista, a mente humana e a consciência são fenómenos inteiramente naturais, resultantes da evolução biológica e da atividade cerebral, e não de uma alma imaterial.
Este termo não deve ser confundido com o sentido histórico de “naturalista” enquanto biólogo de campo ou cientista da natureza, como Charles Darwin, embora partilhem a mesma raiz de respeito e estudo pelo mundo natural.
Laico / Laicista: Nas línguas latinas (com forte raiz na “laïcité” francesa), o termo está diretamente ligado ao princípio político e constitucional da laicidade do Estado (consagrado na Constituição da República Portuguesa). Define a separação total e institucional entre o Estado e as confissões religiosas. Alguém que defende ativamente este princípio é um laicista ou defensor da laicidade. O Estado laico é estritamente neutro: não apoia, não financia e não privilegia nenhuma religião, garantindo que o espaço público pertence a todos, crentes e não-crentes. Muitos humanistas são defensores da laicidade, mas também muitas pessoas religiosas a apoiam para garantir a sua própria liberdade de culto.
Os defensores da laicidade acreditam que:
Deve existir uma separação absoluta e jurídica entre as instituições religiosas e as instituições do Estado;
O Estado deve ser inteiramente neutro em matéria religiosa, não adotando nenhuma crença como oficial;
Os indivíduos devem ter total liberdade de religião ou de crença, incluindo a liberdade de não ter religião, de rejeitar ou de mudar de convicções;
Deve existir igualdade de tratamento cidadão, sem qualquer privilégio (como regimes fiscais de exceção) ou discriminação com base na religião ou crença.
Livre-pensador: Foi um termo popular no século XIX, utilizado por aqueles que rejeitavam a autoridade em matérias de crença, especialmente crenças políticas e religiosas. Ainda é utilizado em diferentes línguas em alguns países europeus por organizações não-religiosas para se descreverem a si próprias.
Não-crente: Estes termo é frequentemente utilizado para descrever alguém que não acredita num deus. Muitos ateus preferem não utilizar estas palavra porque as pessoas que não acreditam num deus possuem, naturalmente, muitas outras crenças (sobre a natureza da realidade, sobre como devemos viver e sobre como devemos tratar os outros).
Racionalista: Pode significar alguém que prioriza o uso da razão e considera a razão crucial para investigar e compreender o mundo. Os racionalistas rejeitam frequentemente a religião com o argumento de que acreditam que esta não pode ser fundamentada na razão. (O racionalismo é por vezes contrastado com o fideísmo — posições que dependem de ou defendem a ‘fé’ até certo ponto).
Secular / Secularista: Embora na tradição anglo-saxónica (secularism) se confunda frequentemente com a laicidade, em Portugal o termo “secular” refere-se historicamente ao que pertence ao mundo temporal, civil ou profano (por oposição ao estritamente religioso ou clerical). O termo “secularização” descreve o fenómeno sociológico em que a cultura, a moral pública, a ciência e os comportamentos sociais se emancipam da tutela e dos dogmas da Igreja. Um secularista, neste contexto, foca-se na promoção de uma sociedade civil orientada por valores terrenos, racionais e humanos, onde as decisões do quotidiano e a ética social se desenvolvem de forma independente das doutrinas religiosas.
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O Dia Internacional Humanista é celebrado anualmente a 21 de junho, uma data que une humanistas de todo o mundo na promoção dos valores positivos do Humanismo e na partilha das preocupações globais do movimento. Esta celebração, que remonta à década de 1980, é uma oportunidade para refletir sobre a importância da ética secular, da razão e da compaixão na construção de uma sociedade mais justa e humana.
O que é o Dia Internacional Humanista?
O Dia Internacional Humanista é uma iniciativa global que visa:
Divulgar os princípios do humanismo: uma filosofia de vida baseada na razão, na ética secular e na compaixão.
Promover a unidade entre humanistas: independentemente da sua localização geográfica ou contexto cultural.
Celebrar a humanidade: através de ações que reforçam a importância do conhecimento, da ciência e da solidariedade.
Esta data foi oficialmente estabelecida no final da década de 1980 e início da década de 1990, após resoluções aprovadas pela Associação Humanista Americana (AHA) e pela Internacional Humanista. A escolha do dia 21 de junho não é aleatória: coincide com o solstício de junho (solstício de verão no hemisfério norte e de inverno no hemisfério sul), um momento de significado histórico e científico que simboliza a luz do conhecimento a iluminar a ignorância.
Origens do Dia Internacional Humanista
A história do Dia Internacional Humanista é tão rica como o próprio movimento humanista:
Década de 1980: Vários capítulos locais da AHA começaram a celebrar o dia, embora sem uma data unificada. Alguns optavam pelo aniversário da fundação da União Humanista e Ética Internacional (atual Internacional Humanista), enquanto outros escolhiam datas significativas para o humanismo.
Fim da década de 1980 e início de 1990: Tanto a AHA como a Internacional Humanista aprovaram resoluções para oficializar o 21 de junho como o Dia Internacional Humanista. O processo democrático e participativo na escolha desta data reflete os valores do movimento.
Desde então, o dia é celebrado anualmente, unindo humanistas em todo o mundo em torno de valores comuns.
Porque celebramos a 21 de junho?
A data do 21 de junho foi escolhida por várias razões simbólicas:
Solstício de junho: Um fenómeno natural que marca o início do verão no hemisfério norte e do inverno no hemisfério sul. O solstício é um momento de transição e reflexão, com ecos em antigas tradições comunitárias.
Simbolismo da luz: O solstício representa a vitória da luz sobre a escuridão, uma metáfora para o conhecimento e a razão a superarem a ignorância.
Unidade global: O solstício é um evento partilhado globalmente no mesmo momento do calendário, reforçando a ideia de uma comunidade humanista unida.
Como celebrar o Dia Internacional Humanista
O Dia Internacional Humanista pode ser celebrado de inúmeras formas, desde atos individuais a eventos comunitários. Aqui ficam algumas sugestões inspiradas em celebrações passadas:
Ações individuais
Partilhe a sua história: Nas redes sociais, explique porque é humanista. Use a hashtag #DiaHumanistaMundial.
Eventos comunitários
Conferências ou cursos: Organize palestra ou cursos introdutórios sobre humanismo.
Debates e discussões: Aborde tópicos globais, como os direitos humanos, ou partilhe caminhos pessoais para o humanismo.
Proclamações públicas: Solicite à sua autarquia local uma proclamação oficial para reconhecer a importância do dia.
Festas ou piqueniques: Aproveite o solstício para organizar um evento ao ar livre, com comida, jogos e discussões.
Cerimónias simbólicas: Crie rituais que destaquem o simbolismo do solstício, como leituras ou música.
Ações de divulgação: Use outdoors, exibições em bibliotecas ou cobertura mediática para promover o humanismo.
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Declarações e Manifestos
Nesta secção, pode encontrar os documentos fundamentais do Humanismo e Humanismo Secular, que definem os seus princípios, valores e visões para a humanidade. Estes textos são referências essenciais para compreender a evolução do pensamento humanista ao longo das décadas.
A Declaração Humanista de 1952 é um dos primeiros documentos formais a definir os princípios do Humanismo Moderno. Redigida por um grupo de pensadores e ativistas, esta declaração estabelece os valores fundamentais do humanismo, como:
A crença na razão e na ciência como bases para a compreensão do mundo.
A valorização da dignidade humana e dos direitos individuais.
A rejeição do sobrenatural como fundamento para a ética ou a moral.
O compromisso com a democracia, a liberdade e a justiça social.
Este documento foi um marco na consolidação do movimento humanista como uma alternativa secular às visões religiosas tradicionais
Redigida por Paul Kurtz e subscrita por dezenas de académicos, cientistas e pensadores proeminentes, esta declaração surgiu como uma resposta ao ressurgimento de fundamentalismos religiosos e à persistência de ideologias totalitárias no final do século XX. O documento foca-se na defesa de um humanismo secular estritamente comprometido com os valores democráticos. Destaca-se por defender:
A Livre Investigação e a Razão: A defesa inegociável da liberdade de pensamento e a confiança no método científico como a via mais fiável para compreender o mundo e resolver os problemas humanos.
A Separação entre Igreja e Estado: A rejeição da imposição de dogmas na esfera pública ou na legislação, bem como a oposição à doutrinação religiosa de crianças.
Uma Ética Autónoma: A afirmação clara de que a moralidade não necessita de um fundamento divino, baseando-se antes na inteligência crítica, na empatia e na responsabilidade individual.
A Defesa da Democracia e da Liberdade: O repúdio por qualquer forma de autoritarismo e o compromisso profundo com as liberdades civis, o Estado de direito e a livre expressão de opiniões.
O Manifesto Humanista III (também conhecido como Humanist Manifesto 2000) é um documento que atualiza e expande os princípios do humanismo para o século XXI. Entre os seus pontos-chave:
A afirmação de que os seres humanos são responsáveis pelo seu próprio destino.
A ênfase na ciência, na tecnologia e na inovação como meios para resolver os desafios globais.
A defesa de uma ética global baseada em valores humanos universais, como a justiça, a liberdade e a solidariedade.
O reconhecimento da diversidade cultural e da necessidade de um diálogo intercultural.
Este manifesto sublinha o humanismo como uma força progressista para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.
Declaração de Amesterdão de 1952
Nota Introdutória: No Congresso Mundial Humanista IHEU (União Internacional Humanista e Ética) em 2002 foi adoptada a versão actualizada “Declaração Humanista de 2002”.
Este congresso é uma resposta à procura generalizada por uma alternativa, por um lado, às religiões que alegam serem baseadas em revelação, e, por outro, aos sistemas totalitários. A alternativa apresentada como uma terceira via para sair da presente crise de civilização é o humanismo, que não é uma nova seita, mas o resultado de uma longa tradição que tem inspirado muitos do pensadores mundiais e artistas criativos e deu origem à própria ciência.
O humanismo ético une todos aqueles que não podem mais acreditar nas várias fés e estão dispostos a assentar as suas convicções no
respeito pelo homem enquanto ser espiritual e moral. Os fundamentos do humanismo ético moderno são os seguintes:
É democrático. Ambiciona ao mais pleno desenvolvimento de cada ser humano. Mantém que se trata de uma questão de direitos. O princípio democrático pode ser aplicado a todas as relações humanas e não se restringe a métodos de governo.
Procura usar a ciência de forma criativa, não destrutiva. Defende uma aplicação global do método científico a problemas relacionados com o bem-estar humano. Os humanistas acreditam que os enormes problemas com que se defronta a humanidade nesta época de transição podem ser resolvidos. A ciência fornece os meios, mas a ciência por si própria não propõe os fins.
O humanismo é ético. Afirma a dignidade do homem e o direito do indivíduo à maior liberdade de desenvolvimento possível compatível com os direitos dos outros. Ao procurar utilizar o conhecimento científico numa sociedade complexa existe o perigo que a liberdade individual possa ser ameaçada pela mesma máquina muito impessoal que foi criada para a salvar. O humanismo ético, desta forma, rejeita tentativas totalitárias para aperfeiçoar a máquina de forma a obter ganhos imediatos à custa dos valores humanos.
Insiste que a liberdade individual é um fim que deve ser combinado com a responsabilidade social por forma a que não seja sacrificada à melhoria das condições materiais. A investigação fundamental, sobre a qual, a longo prazo, assenta o progresso, não seria possível sem liberdade intelectual. O humanismo procura construir um mundo de pessoas livres, responsáveis perante a sociedade. Na defesa da liberdade individual, o humanismo é não dogmático e não impõe nenhum credo aos seus aderentes. Está, por isso, empenhado na educação livre de endoutrinação.
É uma forma de viver, ambicionando à maior satisfação pessoal possível, através do cultivo de uma vivência ética e criativa. Pode ser uma forma de viver para todos em todo o lado se o indivíduo for capaz das respostas exigidas pela ordem social em mudança. A tarefa principal do humanismo hoje é esclarecer as pessoas de forma simples sobre o que pode este pode significar para elas e o que exige delas. Ao utilizar, neste contexto e com o objectivo da paz, o novo poder que a ciência nos deu, os humanistas têm confiança que a presente crise pode ser superada. Livres do medo, as energias do homem ficarão disponíveis para uma realização pessoal para a qual é impossível prever o limite.
O humanismo ético é, desta forma, uma crença que responde ao desafio dos nossos tempos. Apelamos a todas as pessoas que partilham esta convicção para se associarem a nós nesta causa.
Autor: Congresso da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) 1952 (Atual Internacional Humanista)
Tradução: Pedro Lérias
Revisão: Miguel Duarte
Uma Declaração Humanista Secular
Criada em 1980 pelo The Council for Democratic and Secular Humanism (atualmente o Council for Secular Humanism)
Nota do Tradutor: A Atualidade do Manifesto em 2026
Quase meio século após a publicação original da Declaração Humanista Secular em 1980, trazer este texto para a língua portuguesa é não só um exercício de resgate histórico, mas também um ato de inegável urgência contemporânea. Ao debruçar-me sobre as palavras redigidas por Paul Kurtz e subscritas por algumas das mentes mais brilhantes do século XX, revi-me profundamente nos princípios fundamentais aqui delineados. A defesa acérrima da livre investigação, a separação inequívoca entre Igreja e Estado, e a crença na capacidade humana de construir uma ética baseada na inteligência crítica continuam a ser pilares insubstituíveis para qualquer sociedade livre.
Lido à luz do ano de 2026, é surpreendente, e até perturbador, constatar o quão profético este manifesto permanece. As ameaças à razão e à ciência, que os autores identificavam nos anos 80, não desapareceram. Se na altura o obscurantismo se manifestava sobretudo através do fervor de novos cultos religiosos e do fundamentalismo tradicional, hoje enfrentamos epidemias de desinformação digital, a rejeição do método científico, e novas vagas de intolerância que ameaçam os direitos e as liberdades individuais.
Como tradutor, esta obra impôs também um desafio conceptual e linguístico que merece ser partilhado com o leitor. No mundo anglo-saxónico, a palavra secular é polivalente: cobre tanto uma mundividência focada no plano terreno (por oposição ao religioso e sobrenatural), como o próprio modelo de organização política. Na nossa tradição jurídica e cultural de matriz latina, contudo, reservamos o termo secular para a postura filosófica e pessoal, e utilizamos laico ou laicidade para definir a neutralidade do Estado e das suas instituições face à religião. Ao longo do texto, com algumas exceções, optou-se por manter na maioria a terminologia original.
O leitor contemporâneo notará também que o texto reflete as trincheiras ideológicas da Guerra Fria. As repetidas menções ao comunismo como uma força totalitária e um “movimento quase-religioso” espelham as ansiedades geopolíticas da época relativamente ao Bloco Soviético, uma realidade que, no nosso panorama político atual, já não detém a mesma relevância. De igual modo, algumas das batalhas culturais específicas mencionadas, como o foco quase exclusivo nos meios de comunicação tradicionais (televisão e rádio) em detrimento do ciberespaço, ou como certas crenças “paranormais” são categorizadas, são inegavelmente produtos do seu tempo.
No entanto, estas marcas do tempo não beliscam a espinha dorsal da Declaração. Onde o documento fala da ameaça do comunismo estatal, podemos hoje ler o perigo dos novos autoritarismos (sejam eles seculares ou teocráticos, de esquerda ou direita) que continuam a procurar esmagar a dissidência. Onde alerta para a televisão banalizada, vemos o eco nas câmaras de eco dos algoritmos contemporâneos que promovem o mínimo denominador comum.
Traduzir este manifesto foi um reencontro com a crença de que não precisamos de dogmas ou de supervisão sobrenatural para levarmos vidas éticas, compassivas e significativas. A esperança no potencial humano, ancorada na razão e na tolerância, continua a ser a bússola mais segura para navegarmos as complexidades do nosso tempo. Que esta versão em português sirva para reavivar o debate e inspirar todos os que, como eu, continuam a acreditar que o futuro da humanidade está nas nossas próprias mãos.
Introdução
O humanismo secular é uma força vital no mundo contemporâneo. Encontra-se atualmente sob um ataque injustificado e intempestivo vindo de vários quadrantes. Esta declaração defende apenas a forma de humanismo secular explicitamente comprometida com a democracia. Opõe-se a todas as variedades de crença que procuram uma sanção sobrenatural para os seus valores ou que apoiam o governo ditatorial. O humanismo secular democrático tem sido uma força poderosa na cultura mundial. Os seus ideais podem ser traçados desde os filósofos, cientistas e poetas da Grécia e Roma clássicas, até à antiga sociedade confucionista chinesa, ao movimento Charvaca da Índia e a outras distintas tradições intelectuais e morais. O secularismo e o humanismo foram eclipsados na Europa durante a Idade das Trevas, quando a piedade religiosa erodiu a confiança da humanidade nos seus próprios poderes para resolver os problemas humanos. Reapareceram em força durante o Renascimento, com a reafirmação dos valores seculares e humanistas na literatura e nas artes; novamente nos séculos dezasseis e dezassete, com o desenvolvimento da ciência moderna e de uma visão naturalista do universo; e a sua influência pode ser encontrada no século dezoito, na Idade da Razão e no Iluminismo.
O humanismo secular democrático floresceu criativamente nos tempos modernos com o crescimento da liberdade e da democracia. Incontáveis milhões de pessoas ponderadas abraçaram os ideais humanistas seculares, viveram vidas com propósito e contribuíram para a construção de um mundo mais humano e democrático. A perspetiva humanista secular moderna levou à aplicação da ciência e da tecnologia na melhoria da condição humana. Isto teve um efeito positivo na redução da pobreza, do sofrimento e da doença em várias partes do mundo, no prolongamento da longevidade, na melhoria dos transportes e da comunicação, e possibilitaram uma qualidade de vida elevada para cada vez mais pessoas. Conduziu à emancipação de centenas de milhões de pessoas do exercício da fé cega e dos medos da superstição, e contribuiu para a sua educação e para o enriquecimento das suas vidas.
O humanismo secular forneceu o ímpeto para os seres humanos resolverem os seus problemas com inteligência e perseverança, para conquistarem fronteiras geográficas e sociais, e para alargarem o alcance da exploração humana e da aventura. Lamentavelmente, enfrentamos hoje uma variedade de ameaças à laicidade do Estado: o reaparecimento de religiões dogmáticas autoritárias; o cristianismo fundamentalista, literalista e doutrinário; um crescimento rápido e intransigente do clericalismo muçulmano no Médio Oriente e na Ásia; a reafirmação da autoridade ortodoxa pela hierarquia papal católica romana; o judaísmo religioso nacionalista; e a regressão a religiões obscurantistas na Ásia.
Novos cultos da irracionalidade, bem como crenças bizarras no paranormal e no oculto, tais como a crença na astrologia, na reencarnação e no poder misterioso de supostos psíquicos, florescem em muitas sociedades ocidentais. Estes desenvolvimentos preocupantes surgem na sequência da emergência, na primeira parte do século vinte, de movimentos quase-religiosos totalitários e messiânicos intolerantes, tais como o fascismo e o comunismo. Estes ativistas religiosos não só são responsáveis por muito do terror e da violência no mundo de hoje, como também se posicionam como um obstáculo às soluções para os problemas mais sérios do mundo.
Paradoxalmente, alguns dos críticos do humanismo secular sustentam que este é uma filosofia perigosa. Alguns afirmam-no como “moralmente corruptor” por estar comprometido com a liberdade individual; outros que tolera a “injustiça” por defender o processo democrático. Nós, que apoiamos o humanismo secular democrático, negamos tais acusações, as quais se baseiam em mal-entendidos e más interpretações, e procuramos delinear um conjunto de princípios que a maioria de nós partilha.
O humanismo secular não é um dogma ou um credo. Existem grandes diferenças de opinião entre os humanistas seculares em muitos assuntos. No entanto, existe um consenso no que diz respeito a várias proposições. Sentimo-nos apreensivos pelo facto de a civilização moderna estar ameaçada por forças antitéticas à razão, à democracia e à liberdade. Muitos crentes religiosos partilharão, sem dúvida, connosco a crença em muitos valores humanistas seculares e democráticos, e congratulamo-nos com a sua união connosco na defesa destes ideais.
A Livre Investigação
O primeiro princípio do humanismo secular democrático é o seu compromisso com a livre investigação. Opomo-nos a qualquer tirania sobre a mente do homem, a quaisquer esforços por parte de instituições eclesiásticas, políticas, ideológicas ou sociais para acorrentar o pensamento livre. No passado, tais tiranias foram dirigidas por igrejas e Estados na tentativa de impor os éditos de fanáticos religiosos. Na longa luta da história das ideias, as instituições estabelecidas, tanto públicas como privadas, tentaram censurar a investigação, impor a ortodoxia nas crenças e nos valores, excomungar heréticos e extirpar infiéis.
Hoje, a luta pela livre investigação assumiu novas formas. As ideologias sectárias tornaram-se as novas teologias que utilizam partidos políticos e governos na sua missão de esmagar a opinião dissidente. A livre investigação pressupõe o reconhecimento das liberdades civis como parte integrante da sua procura. Imprensa livre, liberdade de comunicação, direito de organizar partidos de oposição, de aderir a associações voluntárias e a liberdade de cultivar e publicar os frutos da liberdade científica, filosófica, artística, literária, moral e religiosa.
A livre investigação exige que toleremos a diversidade de opinião e que respeitemos o direito dos indivíduos de expressar as suas crenças, por mais impopulares que sejam, sem proibição social ou legal e sem medo de sanções. Embora possamos tolerar pontos de vista contrastantes, isto não significa que estes estejam imunes ao escrutínio crítico. A premissa orientadora daqueles que acreditam na livre investigação é que a verdade tem maior probabilidade de ser descoberta se existir a oportunidade para o livre intercâmbio de opiniões opostas; o processo de partilha é, frequentemente, tão importante quanto o resultado. Isto aplica-se não só à ciência e à vida quotidiana, mas também à política, à economia, à moralidade e à religião.
Devido ao seu compromisso com a liberdade, os humanistas seculares acreditam na laicidade do Estado. As lições da história são claras: onde quer que uma religião ou ideologia seja estabelecida e receba uma posição dominante no Estado, as opiniões minoritárias correm perigo. Uma sociedade pluralista, aberta e democrática permite que todos os pontos de vista sejam ouvidos. Qualquer esforço para impor uma conceção exclusiva de Verdade, Piedade, Virtude ou Justiça a toda a sociedade é uma violação da livre investigação.
As autoridades clericais não devem ter permissão para legislar as suas próprias visões paroquiais, sejam elas morais, filosóficas, políticas, educativas ou sociais, para o resto da sociedade. Da mesma forma, as receitas fiscais não devem ser exigidas para o benefício ou sustento de instituições religiosas sectárias. Os indivíduos e as associações voluntárias devem ser livres de aceitar ou não qualquer crença e de apoiar estas convicções com os recursos que possuam, sem serem compelidos por via fiscal a contribuir para credos religiosos com os quais não concordam.
Do mesmo modo, a propriedade das igrejas deve partilhar o encargo das receitas públicas e não deve estar isento de impostos. Os juramentos religiosos obrigatórios e as orações em instituições públicas (políticas ou educativas) são também uma violação deste princípio da separação. Hoje em dia, tanto as religiões não teístas como as teístas competem pela atenção do público. Lamentavelmente, nos países comunistas, o poder do Estado é utilizado para impor uma doutrina ideológica à sociedade, sem tolerar a expressão de visões dissidentes ou heréticas. Vemos aqui uma versão secular moderna da violação do princípio da separação.
O Ideal de Liberdade
Há muitas formas de totalitarismo no mundo moderno, secular e não secular, a todas as quais nos opomos vigorosamente. Como defensores da laicidade democrática, defendemos consistentemente o ideal de liberdade. Não apenas a liberdade de consciência e de crença face àqueles interesses eclesiásticos, políticos e económicos que procuram reprimi-las, mas a genuína liberdade política, a tomada de decisões democráticas baseada na regra da maioria, e o respeito pelos direitos das minorias e pelo Estado de direito.
Defendemos não só a independência do controlo religioso, mas também a liberdade do controlo governamental nacionalista exacerbado (jingoísta). Defendemos os direitos humanos fundamentais, incluindo a integridade da vida, a liberdade individual e a livre busca da felicidade. Na nossa opinião, uma sociedade livre deveria também incentivar alguma medida de liberdade económica, sujeita apenas às restrições necessárias ao interesse público. Isto significa que os indivíduos e os grupos devem poder competir no mercado, organizar sindicatos livres e exercer as suas profissões e carreiras sem a interferência indevida de um controlo político centralizado.
O direito à propriedade privada é um direito humano sem o qual os outros direitos se tornam nulos. Nos casos em que seja necessário limitar qualquer um destes direitos numa democracia, a limitação deve ser justificada em função das suas consequências para o reforço de toda a estrutura dos direitos humanos.
A Ética Baseada na Inteligência Crítica
As visões morais do humanismo secular têm sido alvo de críticas por parte de teístas fundamentalistas religiosos. O humanista secular reconhece o papel central da moralidade na vida humana; na verdade, a ética desenvolveu-se como um ramo do conhecimento humano muito antes de os religiosos proclamarem os seus sistemas morais baseados na autoridade divina. O campo da ética conta com uma lista distinta de pensadores que contribuíram para o seu desenvolvimento: de Sócrates, Demócrito, Aristóteles, Epicuro e Epicteto, a Espinosa, Erasmo, Hume, Voltaire, Kant, Bentham, Mill, G. E. Moore, Bertrand Russell, John Dewey, entre outros.
Existe uma tradição filosófica influente que defende que a ética é um campo autónomo de investigação, que os juízos éticos podem ser formulados independentemente da religião revelada e que os seres humanos podem cultivar a razão prática e a sabedoria e, pela sua aplicação, alcançar vidas de virtude e excelência. Além disso, os filósofos enfatizam a necessidade de cultivar o apreço pelas exigências da justiça social e pelas obrigações e responsabilidades de um indivíduo em relação aos outros. Deste modo, os secularistas rejeitam que a moralidade precise de ser deduzida da crença religiosa ou que aqueles que não aderem a uma doutrina religiosa sejam imorais. Para os humanistas seculares, a conduta ética é, ou deveria ser, julgada pela razão crítica, e a sua meta é desenvolver indivíduos autónomos e responsáveis, capazes de fazer as suas próprias escolhas na vida com base na compreensão do comportamento humano.
Uma moralidade que não se baseie em Deus não tem de ser antissocial, subjetiva ou promíscua, nem tem de levar à rutura dos padrões morais. Embora acreditemos na tolerância face a diversos estilos de vida e costumes sociais, não consideramos que estes estejam imunes à crítica. Também não acreditamos que nenhuma igreja deva impor as suas visões de virtude moral e pecado, conduta sexual, casamento, divórcio, controlo de natalidade ou aborto, nem legislar para o resto da sociedade.
Como humanistas seculares, acreditamos na importância central do valor da felicidade humana aqui e agora. Opomo-nos à moralidade absolutista, embora defendamos que existem padrões objetivos e que os valores e princípios éticos podem ser descobertos no curso da deliberação ética. A ética humanista secular sustenta que é possível aos seres humanos viver vidas significativas e saudáveis, tanto para si próprios como ao serviço dos seus semelhantes, sem a necessidade de mandamentos religiosos ou do benefício do clero. Existiram inúmeros secularistas e humanistas ilustres que demonstraram princípios morais nas suas vidas pessoais e obras: Protágoras, Lucrécio, Epicuro, Espinosa, Hume, Thomas Paine, Diderot, Mark Twain, George Eliot, John Stuart Mill, Ernest Renan, Charles Darwin, Thomas Edison, Clarence Darrow, Robert Ingersoll, Gilbert Murray, Albert Schweitzer, Albert Einstein, Max Born, Margaret Sanger e Bertrand Russell, entre outros.
A Educação Moral
Acreditamos que o desenvolvimento moral deve ser cultivado nas crianças e nos jovens adultos. Não acreditamos que nenhuma seita possa reivindicar valores importantes como sua propriedade exclusiva; por conseguinte, é dever da educação pública lidar com estes valores. Nesse sentido, apoiamos uma educação moral nas escolas que seja concebida para desenvolver o apreço pelas virtudes morais, pela inteligência e pela construção do caráter. Desejamos incentivar, sempre que possível, o crescimento da consciência moral, a capacidade de livre escolha e a compreensão das suas consequências.
Não consideramos moral batizar bebés, crismar adolescentes ou impor um credo religioso a jovens antes que estes tenham capacidade de dar o seu consentimento. Embora as crianças devam aprender sobre a história das práticas morais religiosas, estas mentes jovens não devem ser doutrinadas numa fé antes de terem maturidade suficiente para avaliar os seus méritos por si mesmas. Deve notar-se que o humanismo secular não é tanto uma moralidade específica, mas sim um método para a explicação e descoberta de princípios morais racionais.
O Ceticismo Religioso
Como humanistas seculares, somos geralmente céticos relativamente às alegações sobrenaturais. Reconhecemos a importância da experiência religiosa: essa experiência que redireciona e dá significado às vidas dos seres humanos. Negamos, no entanto, que tais experiências tenham algo a ver com o sobrenatural. Duvidamos das visões tradicionais de Deus e da divindade. As interpretações simbólicas e mitológicas da religião servem frequentemente como racionalizações para uma minoria sofisticada, deixando a maioria da humanidade a debater-se em confusão teológica. Consideramos o universo como um cenário dinâmico de forças naturais, compreendidas de forma mais eficaz através da investigação científica. Estamos sempre abertos à descoberta de novas possibilidades e fenómenos na natureza. No entanto, descobrimos que as visões tradicionais sobre a existência de Deus são desprovidas de sentido, ainda não demonstraram ser verdadeiras, ou são tiranicamente exploratórias.
Os humanistas seculares podem ser agnósticos, ateus, racionalistas ou céticos, mas encontram evidências insuficientes para a alegação de que existe algum propósito divino para o universo. Rejeitam a ideia de que Deus tenha intervindo milagrosamente na história, ou que se tenha revelado a alguns poucos escolhidos, ou que possa salvar ou redimir pecadores. Acreditam que os homens e as mulheres são livres e responsáveis pelos seus próprios destinos, e que não podem olhar para um Ser transcendente em busca de salvação. Rejeitamos a divindade de Jesus, a missão divina de Moisés, Maomé e de outros profetas e santos dos últimos dias das várias seitas e denominações.
Não aceitamos como verdadeira a interpretação literal do Antigo e do Novo Testamento, do Alcorão ou de outros documentos religiosos alegadamente sagrados, por mais importantes que sejam enquanto literatura. As religiões são fenómenos sociológicos generalizados, e os mitos religiosos persistem há muito na história humana. Apesar do facto de os seres humanos terem encontrado nas religiões uma fonte de elevação e de consolo, não consideramos as suas alegações teológicas verdadeiras. As religiões deram contributos tanto negativos como positivos para o desenvolvimento da civilização humana. Embora tenham ajudado a construir hospitais e escolas e, na sua melhor expressão, tenham incentivado o espírito de amor e caridade, muitas também causaram sofrimento humano ao serem intolerantes com aqueles que não aceitavam os seus dogmas ou credos. Algumas religiões têm sido fanáticas e repressivas, estreitando as esperanças humanas, limitando as aspirações e precipitando guerras religiosas e violência. Embora as religiões tenham, sem dúvida, oferecido conforto aos enlutados e aos moribundos ao apresentarem a promessa de uma vida imortal, também despertaram um medo e um pavor mórbidos. Não encontrámos nenhuma evidência convincente de que exista uma “alma” separável, ou que esta exista antes do nascimento ou sobreviva à morte.
Devemos, portanto, concluir que a vida ética pode ser vivida sem as ilusões da imortalidade ou da reencarnação. Os seres humanos podem desenvolver a autoconfiança necessária para melhorar a condição humana e levar vidas significativas e produtivas.
A Razão
Vemos com preocupação o atual ataque dos não-secularistas à razão e à ciência. Estamos comprometidos com o uso dos métodos racionais de investigação, da lógica e da evidência no desenvolvimento do conhecimento e na verificação de alegações de verdade. Como os seres humanos são propensos a errar, estamos abertos à modificação de todos os princípios, incluindo aqueles que regem a investigação, acreditando que estes possam necessitar de uma constante correção. Embora não sejamos ingénuos ao ponto de acreditar que a razão e a ciência possam facilmente resolver todos os problemas humanos, sustentamos, não obstante, que podem dar um grande contributo para o conhecimento humano e ser benéficas para a humanidade. Não conhecemos nenhum substituto superior para o cultivo da inteligência humana.
A Ciência e a Tecnologia
Acreditamos que o método científico, embora imperfeito, ainda é a forma mais fiável de compreender o mundo. Por isso, recorremos às ciências naturais, biológicas, sociais e comportamentais para obter conhecimento sobre o universo e o lugar do homem dentro dele. A astronomia e a física modernas abriram novas e empolgantes dimensões do universo: permitiram à humanidade explorar o cosmos por meio de viagens espaciais. A biologia e as ciências sociais e comportamentais expandiram a nossa compreensão do comportamento humano.
Estamos, assim, opostos em princípio a quaisquer esforços para censurar ou limitar a investigação científica sem uma razão imperiosa para o fazer. Embora estejamos conscientes, e nos oponhamos, aos abusos da tecnologia mal aplicada e às suas possíveis consequências prejudiciais para a ecologia natural do ambiente humano, instamos à resistência contra esforços irrefletidos para limitar os avanços tecnológicos ou científicos. Valorizamos os grandes benefícios que a ciência e a tecnologia (especialmente a investigação básica e aplicada) podem proporcionar à humanidade, mas reconhecemos também a necessidade de equilibrar os avanços científicos e tecnológicos com as explorações culturais na arte, na música e na literatura.
A Evolução
Hoje, a teoria da evolução encontra-se novamente sob forte ataque por parte de fundamentalistas religiosos. Embora não se possa dizer que a teoria da evolução tenha atingido a sua formulação final, ou que seja um princípio infalível da ciência, está, não obstante, apoiada impressionantemente pelas descobertas de muitas ciências. Podem existir algumas diferenças significativas entre os cientistas relativamente aos mecanismos da evolução; contudo, a evolução das espécies é apoiada de forma tão sólida pelo peso das evidências que se é difícil a sua rejeição.
Por conseguinte, deploramos os esforços dos fundamentalistas (especialmente nos Estados Unidos) para invadir as salas de aula de ciências, exigindo que a teoria criacionista seja ensinada aos estudantes e que seja incluída nos manuais escolares de biologia. Isto constitui uma ameaça séria tanto para a liberdade académica como para a integridade do processo educativo. Acreditamos que os criacionistas devem, certamente, ter a liberdade de expressar o seu ponto de vista na sociedade. Além disso, não negamos o valor de examinar as teorias da criação em cursos educativos sobre religião e história das ideias; mas é uma farsa mascarar um artigo de fé religiosa como uma verdade científica e impor essa doutrina ao currículo científico. Se forem bem-sucedidos, os criacionistas poderão minar gravemente a própria credibilidade da ciência.
A Educação
Na nossa opinião, a educação deveria ser o método essencial para a construção de sociedades humanas, livres e democráticas. Os objetivos da educação são múltiplos: a transmissão do conhecimento; a preparação para profissões, carreiras e cidadania democrática; e o incentivo ao crescimento moral. Entre os seus propósitos vitais deveria também estar a tentativa de desenvolver a capacidade de inteligência crítica, tanto no indivíduo como na comunidade.
Infelizmente, as escolas estão hoje a ser cada vez mais substituídas pelos meios de comunicação de massas como as principais instituições de informação e educação pública. Embora os meios eletrónicos ofereçam oportunidades sem precedentes para alargar o enriquecimento cultural, o lazer e poderosas oportunidades de aprendizagem, há um desvio grave dos seus propósitos. Nas sociedades totalitárias, os meios de comunicação servem como veículo de propaganda e doutrinação. Nas sociedades democráticas, a televisão, a rádio, o cinema e a edição de massas cedem demasiadas vezes ao mínimo denominador comum e tornaram-se desertos de banalidade. Existe uma necessidade premente de elevar os padrões de gosto e de apreciação.
De especial preocupação para os secularistas é o facto de os meios de comunicação (particularmente nos Estados Unidos) estarem desmesuradamente dominados por um pendor pró-religioso. As visões de pregadores, curandeiros pela fé e mercadores da religião passam, na maioria, sem contestação, e à perspetiva secular não é dada a oportunidade de uma audiência justa. Acreditamos que os diretores e produtores de televisão têm a obrigação de restabelecer o equilíbrio e rever a sua programação. Na verdade, há uma tarefa mais ampla que todos os que acreditam nos valores humanistas seculares democráticos reconhecerão: a necessidade de embarcar num programa a longo prazo de educação pública e esclarecimento sobre a relevância da perspetiva secular para a condição humana.
Conclusão
O humanismo secular democrático é demasiado importante para que a civilização humana o abandone. As pessoas razoáveis reconhecerão certamente os seus profundos contributos para o bem-estar humano. No entanto, estamos rodeados por profetas da desgraça e do desastre, que desejam sempre retroceder o relógio da história, são anti-ciência, anti-liberdade, anti-humanos. Em contraste, a perspetiva secular humanista é fundamentalmente positiva, olhando para a frente com esperança e não para trás com desespero. Estamos comprometidos em estender os ideais da razão, da liberdade, da oportunidade individual e coletiva, e da democracia a toda a comunidade mundial.
Os problemas que a humanidade enfrentará no futuro, tal como no passado, serão sem dúvida complexos e difíceis. No entanto, se ela tiver de prevalecer, só o poderá fazer a mobilizar engenho e coragem. O humanismo secular deposita a sua confiança na inteligência humana e não na orientação divina. Céticos perante as teorias de redenção, condenação e reencarnação, os humanistas seculares tentam abordar a situação humana em termos realistas: os seres humanos são responsáveis pelos seus próprios destinos.
Acreditamos que é possível alcançar um mundo mais humano, baseado nos métodos da razão e nos princípios da tolerância, do compromisso e da negociação das diferenças. Reconhecemos a necessidade de modéstia intelectual e a vontade de rever crenças à luz da crítica. Deste modo, o consenso é, por vezes, alcançável. Embora as emoções sejam importantes, não precisamos de recorrer a panaceias de salvação, de escapar através da ilusão ou de dar algum salto desesperado em direção à paixão e à violência. Deploramos o crescimento de credos sectários intolerantes que fomentam o ódio. Num mundo mergulhado no obscurantismo e no irracionalismo, é vital que os ideais da cidade secular não se percam.
A Declaração Humanista Secular foi redigida por Paul Kurtz, Editor da Free Inquiry.
Apoios
A Declaração Humanista Secular foi apoiada pelos seguintes indivíduos:
(Embora nós, que apoiamos esta declaração, possamos não concordar com todas as suas disposições específicas, apoiamos, não obstante, os seus objetivos e direção gerais, e acreditamos ser importante que estes sejam enunciados e implementados. Apelamos a todos os homens e mulheres de boa vontade que concordam connosco para que se juntem a nós na ajuda para manter vivo o compromisso com os princípios da livre investigação e da perspetiva humanista secular. Sustentamos que o declínio destes valores poderá ter implicações ominosas para o futuro da civilização neste planeta.)
Estados Unidos
George Abell (professor de astronomia, UCLA)
John Anton (professor de filosofia, Emory University)
Khoren Arisian (pastor, First Unitarian Society of Minneapolis)
Isaac Asimov (autor de ficção científica)
Paul Beattie (pastor, All Souls Unitarian Church; presidente da Fellowship of Religious Humanism)
H. James Birx (professor de antropologia e sociologia, Canisius College)
Brand Blanshard (professor emérito de filosofia, Yale)
Joseph L. Blau (professor emérito de religião, Columbia)
Francis Crick (laureado com o Prémio Nobel, Salk Institute)
Arthur Danto (professor de filosofia, Columbia University)
Albert Ellis (diretor-executivo do Institute for Rational Emotive Therapy)
Roy Fairfield (antigo professor de ciências sociais, Antioch)
Herbert Feigl (professor emérito de filosofia, University of Minnesota)
Joseph Fletcher (teólogo, University of Virginia Medical School)
Sidney Hook (professor emérito de filosofia, NYU; investigador no Hoover Institute)
George Hourani (professor de filosofia, State University of New York at Buffalo)
Walter Kaufmann (professor de filosofia, Princeton)
Marvin Kohl (professor de filosofia e ética médica, State University of New York at Fredonia)
Richard Kostelanetz (escritor, artista e crítico)
Paul Kurtz (professor de filosofia, State University of New York at Buffalo)
Joseph Margolis (professor de filosofia, Temple University)
Floyd Matson (professor de Estudos Americanos, University of Hawaii)
Ernest Nagel (professor emérito de filosofia, Columbia)
Lee Nisbet (professor associado de filosofia, Medaille)
George Olincy (advogado)
Virginia Olincy
W. V. Quine (professor de filosofia, Harvard University)
Robert Rimmer (romancista)
Herbert Schapiro (Freedom from Religion Foundation)
Herbert Schneider (professor emérito de filosofia, Claremont College)
B. F. Skinner (professor emérito de psicologia, Harvard)
Gordon Stein (editor, The American Rationalist)
George Tomashevich (professor de antropologia, Buffalo State University College)
Valentin Turchin (dissidente russo; cientista de computadores, City College, City University of New York)
Sherwin Wine (rabino, Birmingham Temple; fundador da Society for Humanistic Judaism)
Marvin Zimmerman (professor de filosofia, State University of New York at Buffalo)
Canadá
Henry Morgentaler (médico, Montreal)
Kai Nielsen (professor de filosofia, University of Calgary)
França
Yves Galifret (diretor-executivo, Union Rationaliste)
Jean Claude Pecker (professor de astrofísica, Collège de France, Académie des Sciences)
Reino Unido
Sir A.J. Ayer (professor de filosofia, Oxford University)
H.J. Blackham (antigo presidente do Social Morality Council e da British Humanist Association)
Bernard Crick (professor de política, Birkbeck College, London University)
Sir Raymond Firth (professor emérito de antropologia, University of London)
James Herrick (editor, The Free Thinker)
Zhores A. Medvedev (dissidente russo; Medical Research Council)
Dora Russell (Sra. Bertrand Russell) (autora)
Lord Ritchie-Calder (presidente da Rationalist Press Association)
Harry Stopes-Roe (professor coordenador de estudos científicos, University of Birmingham; presidente da British Humanist Association)
Nicholas Walter (editor, New Humanist)
Baronesa Barbara Wootton (vice-presidente da Câmara dos Lordes)
Índia
A. B. Shah (presidente da Indian Secular Society; diretor do Institute for the Study of Indian Traditions)
V. M. Tarkunde (juiz do Supremo Tribunal, presidente da Indian Radical Humanist Association)
Israel
Shulamit Aloni (advogada, membro do Knesset, líder do Citizens Rights Movement)
Noruega
Alastair Hannay (professor de filosofia, Universidade de Trondheim)
Jugoslávia
Milovan Djilas (autor, antigo vice-presidente da Jugoslávia)
Mihailo Marković (professor de filosofia, Academia Sérvia de Ciências e Artes e Universidade de Belgrado)
Svetozar Stojanović (professor de filosofia, Universidade de Belgrado)
Este trabalho (tradução e nota do tradutor) está licenciado sob a Licença Creative Commons: Atribuição - Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional (CC BY-NC-SA 4.0), sem prejudicar direitos do autor original.
Num sentido mais literal, seria escrito como “Separação da Igreja e do Estado” ↩︎
Declaração de Amesterdão de 2002
Em 1952, no primeiro Congresso Mundial Humanista, os fundadores da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) acordaram uma declaração dos princípios fundamentais do Humanismo moderno. Chamaram-lhe “Declaração Humanista de 1952”. Essa declaração foi filha do seu tempo: construída no mundo de grandes políticas de poder e da Guerra Fria. No seu quinquagésimo aniversário, em 2002, o Congresso Mundial Humanista, de novo reunido nos Países Baixos, aprovou por unanimidade uma resolução a actualizar a declaração anterior: “A Declaração de Amesterdão de 2002”. Após o Congresso, esta declaração actualizada foi adoptada por unanimidade pela Assembleia Geral da IHEU e, desta forma, tornou-se na declaração oficial que define o Humanismo Mundial.
A Declaração de Amesterdão de 2002
O Humanismo é o resultado de uma longa tradição de pensamento livre que inspirou muitos dos grandes pensadores e artista criativos do mundo e deu origem à ciência. Os fundamentos do Humanismo moderno são os seguintes:
O Humanismo é ético. Afirma o valor, dignidade e autonomia do individuo e o direito de todo o ser humano à maior liberdade possível compatível com os direitos dos outros. Os humanistas têm o dever de cuidar de toda a humanidade, incluindo as futuras gerações. Os humanistas acreditam que a moralidade é uma parte intrínseca da natureza humana, baseada numa compreensão e preocupação pelos outros, e não necessita de uma sanção externa.
O Humanismo é racional. Procura usar a ciência de forma criativa, não destrutiva. Os humanistas acreditam que a solução para os problemas do mundo resulta do pensamento e acção do homem e não da intervenção divina. O humanismo defende a aplicação dos métodos da ciência e livre inquérito aos problemas do bem-estar humano. Mas os humanistas também acreditam que a aplicação da ciência e tecnologia deve ser moderada por valores humanos. A ciência fornece-nos os meios mas são os valores humanos que devem propor os fins.
O Humanismo apoia a democracia e os direitos humanos. O humanismo ambiciona ao mais completo desenvolvimento de todo o ser humano. Defende que a democracia e desenvolvimento humano são questões de direito. Os princípios da democracia e dos direitos humanos podem ser aplicados a vários tipos de relações humanas e não se restringem aos métodos de governação.
O Humanismo insiste que a liberdade pessoal tem de ser combinada com responsabilidade social. O humanismo procura construir um mundo com base na ideia da pessoa livre responsável perante a sociedade e reconhece a nossa dependência e responsabilidade pelo mundo natural. O humanismo não é dogmático e não impõe qualquer crença aos seus aderentes. Dedica-se, por isso, à educação livre de endoutrinação.
O Humanismo é uma resposta à procura generalizada por uma alternativa à religião dogmática. As maiores religiões mundiais clamam que são baseadas em revelações, permanentes para todo o sempre, e muitas procuram impor as suas visões do mundo a toda a humanidade. O humanismo defende que o conhecimento fidedigno do mundo e de nós próprios surge de um processo contínuo de observação, avaliação e revisão.
O Humanismo valoriza a criatividade artística e a imaginação e reconhece o poder transformador da arte. O humanismo afirma a importância da literatura, música e das artes visuais e de espectáculo para o desenvolvimento individual e realização pessoal.
O Humanismo é uma postura perante a vida que ambiciona à maior realização pessoal possível através da construção de uma vivência ética e criativa e oferece os meios éticos e racionais para procurar respostas aos desafios dos nossos tempos. O Humanismo pode ser uma forma de viver para todos, em todo o lado.
A nossa principal tarefa é dar a conhecer às pessoas, nos termos mais simples possíveis, o que o Humanismo pode significar para elas, assim como os princípios a que o Humanismo se dedica. Ao utilizar o livre inquérito, o poder da ciência e a imaginação criativa para a prosseguição da paz e ao serviço da compaixão temos confiança que detemos os meios para resolver os problemas com que nos confrontamos. Apelamos a todos os que partilham esta convicção que se associem a nós neste empreendimento.
Autor: Congresso da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) 2002 (Atual Internacional Humanista)
Tradução: Pedro Lérias
Revisão: Miguel Duarte
Manifesto Humanista III
O Humanismo e as Suas Aspirações
O Manifesto Humanista III é o sucessor do Manifesto Humanista de 1933
O humanismo é uma filosofia de vida progressiva que, sem supernaturalismos, afirma a nossa capacidade e responsabilidade para ter vidas éticas e de realização pessoal que aspirem a um maior bem-estar da humanidade.
A postura de vida do Humanismo - guiada pela razão, inspirada pela compaixão, e informada pela experiência – encoraja-nos a viver bem e integralmente. Esta evoluiu através das eras e continua a desenvolver-se através de pessoas que refletem e reconhecem que valores e ideais, apesar de cuidadosamente forjados, estão sujeitos a mudanças à medida que os nossos conhecimentos e compreensão avançam.
Este documento é parte de um esforço contínuo de manifestar em termos claros e positivos as fronteiras conceptuais do Humanismo, não aquilo em que temos de acreditar mas um consenso daquilo que acreditamos. É neste sentido que afirmamos o seguinte:
O conhecimento do mundo deriva da observação, experimentação e análise racional. Os humanistas pensam que a ciência é o melhor método para determinar este conhecimento como também para solucionar problemas e desenvolver tecnologias benéficas. Também reconhecemos o valor das novas formas de pensamento, nas artes e experiência interior - cada uma objeto de análise pelo pensamento crítico.
Os humanos são parte integral da Natureza, o resultado de uma mudança evolutiva não guiada. Os humanistas reconhecem que a natureza existe por si mesma. Aceitamos a nossa vida como ela é, distinguindo as coisas como elas são das coisas como gostaríamos ou imaginaríamos que fossem. Damos as boas vindas aos desafios do futuro, os conhecidos e os que ainda virão a ser conhecidos.
Os valores éticos derivam das necessidades e interesse humano como é confirmado pela experiência. Os humanistas fundamentam os valores na necessidade de bem-estar humano constituído pelas circunstâncias, interesses e preocupações humanos e que se estendem ao ecossistema global e além. Estamos comprometidos a tratar cada pessoa como tendo valor e dignidade inerentes, e a fazer escolhas informadas num contexto de liberdade em consonância com um sentido de responsabilidade.
A realização da vida emerge da participação individual no serviço dos ideais humanos. Temos como objetivo para o nosso desenvolvimento mais completo possível e animamos a nossa vidas com um profundo sentido de propósito, encontrando admiração e reverência nas alegrias e beleza da existência humana, nos seus desafios e tragédias e, até mesmo, na inevitabilidade e finalidade da morte. Os humanistas contam com a rica herança da cultura humana, e a postura de vida do Humanismo fornece conforto em tempos de necessidade e encorajamento em tempos de fartura.
Os humanos são sociais por natureza e encontram sentido nos relacionamentos. Os humanistas almejam e esforçam-se por um mundo de cuidado e preocupação mútuos, livre da crueldade e suas consequências, onde as diferenças são resolvidas cooperativamente sem recorrer à violência. A junção entre a individualidade com a interdependência enriquece as nossas vidas, encoraja-nos a enriquecer as vidas dos outros, e inspira em nós a esperança de obter paz, justiça e oportunidades para todos.
O trabalho em benefício da sociedade maximiza a felicidade individual. Progressivamente as culturas têm trabalhado para libertar a humanidade das brutalidades da mera sobrevivência, reduzir o sofrimento, melhorar a sociedade e, desenvolver uma comunidade global. Procuramos diminuir as desigualdades de circunstâncias e competências. E, apoiamos uma justa distribuição dos recursos naturais e dos frutos do esforço humano para que tantos quanto possível possam gozar de uma boa vida.
Os humanistas estão preocupados com o bem-estar de todos, estão comprometidos com a diversidade, e com o respeito pelas diferentes, mas ainda assim humanas, opiniões dos outros. Trabalhamos para apoiar o igual gozo de todos os homens dos direitos humanos e liberdade civis numa sociedade aberta e secular e ainda, afirmamos que é um dever cívico participar no processo democrático e um dever planetário proteger a integridade, diversidade e beleza da Natureza de uma forma segura e sustentável.
Assim, envolvidos no fluxo da vida, aspiramos a esta visão com a convicção informada de que a humanidade tem a capacidade de progredir em direção aos seus mais altos ideais. A responsabilidade pelas nossas vidas e o tipo de mundo no qual vivemos é nossa e apenas nossa.
Em 1952, no primeiro Congresso Humanista Mundial, os fundadores da Internacional Humanista aprovaram uma declaração sobre os princípios fundamentais do Humanismo moderno. Chamaram-lhe “A Declaração de Amesterdão”.
A Declaração de Amesterdão de 1952 foi fruto do seu tempo. Por exemplo, foi redigida num mundo marcado pela política das grandes potências e pela Guerra Fria, afirmando que “os humanistas têm confiança que a presente crise pode ser superada”. Como convém à natureza do Humanismo, recetivo à evolução, avesso ao dogma, a declaração foi atualizada em 2002 e, mais recentemente, em 2022, para refletir as realidades modernas de cada época.
Em 2002, no Congresso Humanista Mundial nos Países Baixos, que assinalou o seu 50.º aniversário, os Membros da União Internacional Ética e Humanista (como a organização era então designada) aprovaram a Declaração de Amesterdão de 2002. Esta tornou-se a declaração oficial e definidora do Humanismo Mundial até 2022.
Em 2022, na Assembleia Geral em Glasgow, que marcou o 70.º aniversário, os Membros e Associados da Internacional Humanista reviram e aprovaram democraticamente, mais uma vez, uma atualização do documento: a Declaração de Amesterdão de 20221. Esta nova declaração serve agora como os nossos princípios orientadores definitivos.
Declaração
As crenças e os valores humanistas são tão antigos como a civilização e deixaram a sua marca na maioria das sociedades em todo o mundo. O humanismo moderno é o culminar destas longas tradições de pensamento sobre o significado e a ética, tendo sido fonte de inspiração para muitos dos grandes pensadores, artistas e humanitários do mundo e está intrinsecamente ligado à ascensão da ciência moderna.
Enquanto movimento humanista global, visamos consciencializar todas as pessoas sobre os pontos essenciais da mundividência humanista seguintes:
1. Os humanistas esforçam-se por ser éticos
Assumimos que a moralidade é inerente à condição humana, fundamentada na capacidade dos seres vivos de sofrer e de prosperar, motivada pelos benefícios de ajudar e de não causar dano, promovida pela razão e pela compaixão, e não necessita de qualquer fonte fora da humanidade.
Afirmamos o valor e a dignidade do indivíduo e o direito de cada ser humano à maior liberdade possível e ao desenvolvimento o mais pleno possível em consonância com os direitos dos outros. Para tal, apoiamos a paz, a democracia, o Estado de direito e a incorporação universal dos direitos humanos na lei.
Rejeitamos todas as formas de racismo e preconceito, bem como as injustiças que deles decorrem. Em vez disso, visamos promover a prosperidade e a comunhão da humanidade em toda a sua diversidade e individualidade.
Consideramos que a liberdade individual deve ser combinada com a responsabilidade perante a sociedade. Uma pessoa livre tem deveres para com os outros; sentimos o dever de cuidar de toda a humanidade, incluindo as gerações futuras, bem como de todos os seres sencientes.
Reconhecemos que somos parte da natureza e aceitamos a nossa responsabilidade pelo impacto que temos sobre o resto do mundo natural.
2. Os humanistas esforçam-se por ser racionais
Estamos convencidos de que as soluções para os problemas do mundo residem na razão e ação humanas. Defendemos que a ciência e a livre investigação sejam aplicadas a esses problemas, cientes que, embora a ciência forneça os meios, os valores humanos devem definir os fins. Visamos utilizar a ciência e a tecnologia para melhorar o bem-estar humano, nunca de forma insensível ou destrutiva.
3. Os humanistas procuram a realização nas suas vidas
Valorizamos todas as fontes de alegria e realização individuais que não prejudiquem terceiros, e acreditamos que o desenvolvimento pessoal através do cultivar de uma vida criativa e ética é um empreendimento para toda a vida.
Consequentemente, valorizamos a criatividade artística e a imaginação e reconhecemos o poder transformador da literatura, da música e das artes visuais e performativas. Apreciamos a beleza do mundo natural e o seu potencial para gerar deslumbramento, espanto e tranquilidade. Apreciamos o esforço individual e comunitário na atividade física, e as oportunidades para a camaradagem e realização pessoal que esta oferece. Estimamos a busca do conhecimento, e a humildade, sabedoria e perspicácia que este nos proporciona.
4. O humanismo dá resposta à busca generalizada por uma fonte de significado e de propósito, tornando-se uma alternativa à religião dogmática, ao nacionalismo autoritário, ao sectarismo tribal, e ao niilismo egoísta
Embora acreditemos que o compromisso com o bem-estar humano deve ser intemporal, as nossas opiniões particulares não se baseiam em revelações válidas para todo o sempre. Os humanistas reconhecem que ninguém é infalível ou omnisciente, e que o conhecimento do mundo e da humanidade só pode ser atingido por um processo contínuo de observação, de aprendizagem e de reavaliação.
Por estas razões, não procuramos evitar o escrutínio nem impor a nossa visão a toda a humanidade. Pelo contrário, estamos comprometidos com a livre expressão e troca de ideias, e visamos cooperar com pessoas de diferentes crenças que partilhem os nossos valores, em prol da construção de um mundo melhor.
Estamos confiantes de que a humanidade tem o potencial para solucionar os problemas com os quais nos confrontamos, através da livre investigação, da ciência, da empatia e da imaginação na promoção da paz e do desenvolvimento humano.
Apelamos a todos os que partilham estas convicções a juntarem-se a nós neste esforço inspirador.
Uma coletânea de citações e reflexões críticas sobre religião, fé e racionalidade, de pensadores como Isaac Asimov, Carl Sagan, Voltaire, Frank Zappa, Albert Einstein, Bertrand Russell, Mark Twain, e muitos outros.
Destacam-se temas como:
Críticas à religião organizada e ao fanatismo.
A beleza da dúvida e do questionamento.
A importância da ciência e do livre-pensamento.
Frases irónicas, filosóficas e provocadoras sobre Deus, fé e superstição.
Análise crítica de Paulo Ramos (2009) sobre a historicidade de Jesus, questionando a sua existência como figura histórica e explorando as origens do cristianismo a partir de fontes judias, romanas e cristãs não canónicas.
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A Filosofia do Humanismo: Uma Apresentação da Obra de Corliss Lamont
Introdução
O livro The Philosophy of Humanism (A Filosofia do Humanismo), escrito por Corliss Lamont (aqui analisado a partir da sua 8.ª edição revista, 1997), é amplamente considerado o texto de referência para a compreensão do humanismo naturalista e secular contemporâneo.
Lamont argumenta que o humanismo não é apenas um exercício académico abstrato para filósofos profissionais, mas sim um padrão prático e consciente de comportamento. Uma filosofia de vida dinâmica centrada na felicidade humana na Terra e dentro dos limites da Natureza, a qual é o nosso único lar e ambiente real.
O Significado do Humanismo e a Importância da Filosofia
Para Lamont, o humanismo baseia-se na proposição simples de que o fim supremo da vida humana é trabalhar pela felicidade das pessoas neste mundo, expandindo e tornando acessíveis a todos os bens materiais, culturais e espirituais disponíveis. Ele defende a importância crucial da filosofia na integração da personalidade humana, fornecendo clareza e propósito diante de crises quotidianas ou de grandes eventos históricos.
Diferente das religiões tradicionais que projetam traços humanos no cosmos (antropomorfismo) e buscam soluções fáceis por meio do sobrenatural, o humanismo propõe que a razão e o esforço humano coletivo constituem a nossa melhor e única esperança verdadeira. A civilização ocidental foi muitas vezes confundida por visões teológicas dogmáticas que desvalorizavam a iniciativa terrena, ao passo que o humanismo afirma categoricamente que o ser humano deve ser o artífice do seu próprio destino.
Os Dez Princípios Fundamentais do Humanismo
O núcleo estrutural da obra reside na definição de dez proposições centrais que delineiam o humanismo na sua forma moderna (seja científico, secular, naturalista ou democrático):
Metafísica Naturalista: O humanismo adota uma postura metafísica naturalista relativamente ao universo. Considera todas as formas de sobrenaturalismo como mitos e lendas. A Natureza é vista como a totalidade do ser, consistindo num sistema em constante mudança de matéria e energia que existe de forma independente de qualquer mente ou consciência superior.
Unidade Indivisível entre Corpo e Personalidade: Com respaldo nas leis e descobertas da ciência, o humanismo entende que os seres humanos são produtos da evolução biológica da própria Natureza. A mente humana está conectada de maneira indissolúvel ao funcionamento físico do cérebro, o que significa que o indivíduo não possui qualquer tipo de sobrevivência consciente após a morte. Esta vida é tudo o que temos, e é o suficiente.
Fé e Confiança na Humanidade: O humanismo deposita a sua fé última na própria humanidade. Acredita que os seres humanos detêm o poder e a potencialidade necessários para resolver os seus próprios problemas, valendo-se primordialmente da razão e do método científico aplicados com coragem, visão e compaixão.
Liberdade de Escolha Criativa: Em oposição estrita às teorias de determinismo universal absoluto, fatalismo ou predestinação divina, o humanismo assegura que os seres humanos, embora condicionados pelo passado e pelo contexto, possuem liberdade genuína de escolha criativa e de ação, sendo responsáveis pela moldagem do seu próprio futuro.
Ética Centrada neste Mundo: A moralidade humanista fundamenta todos os valores nas experiências e relações estritamente terrenas. O seu objetivo supremo é o bem-estar, a liberdade e o progresso (económico, cultural e ético) de toda a humanidade, sem qualquer distinção ou discriminação de nação, raça, género ou religião.
Harmonia entre Indivíduo e Sociedade: O indivíduo alcança a “vida boa” ao combinar de forma harmoniosa as suas satisfações pessoais e o seu autoaperfeiçoamento contínuo com a realização de trabalhos significativos e outras atividades que contribuam diretamente para o bem-estar e progresso da comunidade.
Desenvolvimento e Apreciação Estética: O humanismo defende o amplo cultivo da arte e da sensibilidade estética. Isso inclui o deslumbramento e a apreciação profunda da beleza natural do cosmos, transformando a experiência estética numa realidade pervasiva e acessível na rotina de todos.
Programa Social Democrático e Pacífico: No plano social, preconiza o estabelecimento global da democracia, da paz e de um elevado padrão de vida coletivo, erguidos sobre as fundações de uma ordem económica justa e florescente, tanto a nível nacional como internacional.
Soberania da Razão e Liberdades Civis: Exige a completa implementação da racionalidade e do método científico nas esferas institucionais, o que requer procedimentos democráticos sólidos, governos parlamentares ou representativos transparentes, plena liberdade de expressão e a salvaguarda inflexível das liberdades civis.
Questionamento Crítico Permanente: Em alinhamento com o espírito da ciência, o humanismo rejeita converter-se num novo dogma estático. Ele baseia-se no questionamento permanente de todos os pressupostos e convicções, incluindo as suas próprias formulações, mantendo-se como uma filosofia viva, aberta a testes experimentais, novos factos e raciocínios mais rigorosos.
A Tradição Humanista e os seus Precursores Históricos
Corliss Lamont demonstra que o humanismo não é uma invenção recente ou sem raízes, mas sim o ponto culminante de uma rica e milenar tradição intelectual:
Protágoras (Abdera, c. 490 a.C. — Sicília, c. 415 a.C.): O primeiro grande precursor registado, famoso pela máxima “O homem é a medida de todas as coisas” e por assumir um agnosticismo filosófico pioneiro relativamente à existência dos deuses.
Sócrates (Alópece, c. 470 a.C. – Atenas, 399 a.C.): O grande herói ético da filosofia que estabeleceu o autoexame racional como imperativo moral (“A vida não examinada não vale a pena ser vivida”), escolhendo morrer em defesa da liberdade de pensamento e de expressão.
Aristóteles (Estagira, 384 a.C. – Atenas, 322 a.C.): Lançou os alicerces da psicologia naturalista (a mente/alma como forma e funcionamento integrado do corpo biológico) e estruturou as leis da lógica e da observação científica da Natureza.
O Renascimento Europeu (Séculos XIV a XVI): Uma reviravolta cultural profunda contra o ascetismo e a obsessão com o pós-morte característicos da Idade Média. Autores como Rabelais, Erasmo, Montaigne e Bacon, além de artistas como Da Vinci e Michelangelo, resgataram os clássicos greco-romanos e celebraram o ideal do “homem universal”, livre do controle eclesiástico absoluto sobre o saber.
A Consolidação Moderna: Através do Iluminismo francês (Diderot, Voltaire), do panteísmo naturalista de Spinoza e, no século XX, pelas obras monumentais de filósofos como John Dewey (considerado por muitos o maior pensador americano) e Bertrand Russell na Grã-Bretanha.
As Diversas Vertentes do Movimento
O livro enfatiza que o humanismo atua como um solo comum onde convergem múltiplos grupos que abandonaram as superstições teológicas:
Humanistas Seculares e Científicos: Voltados para o livre-pensamento e o progresso técnico-científico.
Humanistas Religiosos: Setores progressistas (especialmente de matriz Unitária) e as Sociedades de Cultura Ética (fundadas por Felix Adler sob o lema “Ação, não credo”). Para este grupo, o termo “religião” ou “fé” é visto não como crença em deuses, mas como um compromisso profundo do coração com os valores éticos mais elevados e a solidariedade humana.
Livres-pensadores e Racionalistas: Movimentos focados historicamente no combate ao clericalismo e no triunfo da evidência empírica sobre a revelação divina.
Humanistas Marxistas: Embora localizados mais à esquerda no espectro político e aderentes ao Materialismo Dialético (com divergências pontuais junto a Lamont no que tange ao grau de determinismo e certos aspetos democráticos), partilham integralmente a rejeição ao sobrenaturalismo e a busca pela emancipação humana nesta vida.
O Contexto Político e a Defesa da Liberdade contra o Fundamentalismo
Nas introduções e prefácios às edições mais recentes, Lamont contextualiza a urgência prática do humanismo diante das reações conservadoras e teocráticas. Ele relata em detalhe os embates travados pela Associação Humanista Americana (AHA) contra o ressurgimento da chamada “Maioria Moral” (ou Direita Religiosa Radical) liderada por figuras como Jerry Falwell e Tim LaHaye nos anos 80 e 90.
Essas correntes fundamentalistas acusavam o humanismo secular de ser a raiz de todos os males da sociedade contemporânea e tentavam forçar a censura de livros em bibliotecas públicas, introduzir o criacionismo bíblico no currículo de ciências e banir a educação sexual e os direitos reprodutivos das mulheres. Lamont aponta com otimismo que essa violenta perseguição acabou por gerar um efeito bumerangue: ao tentarem demonizar os humanistas, os fundamentalistas deram uma publicidade massiva e inédita ao termo humanismo, estimulando a curiosidade de milhares de pessoas que, ao descobrirem os princípios humanistas, decidiram filiar-se ao movimento em busca de uma alternativa de vida baseada na tolerância, na ciência e na paz.
Conclusão
A obra de Corliss Lamont serve como o manifesto de uma visão positiva. O humanismo não se define meramente pelo que nega (ateísmo ou agnosticismo), mas sim pelo que constrói e afirma com entusiasmo: a celebração da existência, o amor pela arte e pela Natureza, a defesa intransigente das liberdades democráticas e a convicção inabalável de que os seres humanos possuem todas as ferramentas necessárias para edificar uma civilização justa, pacífica e feliz.
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Desde os primórdios da civilização, a humanidade busca respostas para as grandes questões da existência: De onde viemos? Qual é o nosso propósito? O que nos espera após a morte? Para muitos, a religião ofereceu consolo e respostas prontas, baseadas na fé e na tradição. Mas para outros, filósofos, cientistas, artistas e pensadores livres, a busca pela verdade exigiu algo mais, a coragem de questionar.
Esta coletânea reúne vozes dissonantes que, desafiaram dogmas, desmascararam superstições e defenderam a razão como guia para a compreensão do mundo. De Isaac Asimov a Carl Sagan, de Voltaire a Frank Zappa, estas frases são um convite à reflexão sobre o papel da religião na sociedade, os perigos do fanatismo e a beleza da dúvida.
Boa leitura!
A
“A Bíblia foi interpretada para justificar práticas más, como, por exemplo, a escravidão, a carnificina de prisioneiros de guerra, os sádicos assassinos de mulheres acusadas de serem bruxas, punição capital por centenas de ofensas, poligamia e crueldade com animais. Foi usada para encorajar a crença na mais grosseira superstição e para desencorajar o livre ensino de verdades científicas. Nós não devemos nunca esquecer que, bem e mal, fluem da Bíblia. Ela, portanto, não está acima da crítica.”
— Steve Allen
“Se você rezar por chuva por bastante tempo, ela eventualmente cai. Se você rezar para que enxurradas se acalmem, elas eventualmente o farão. O mesmo acontece na ausência de preces.”
— Steve Allen
“Um metafísico é um cego num quarto escuro à procura de um gato preto que não está lá, e um teólogo é o tipo que encontra o gato.”
— Anónimo
“Cristianismo: Mais seguro do que uma lobotomia, mas tão eficaz quanto uma.”
— Anónimo
“A religião é a maior arma na guerra contra a realidade.”
— Anónimo
“Ajude a preservar a crença dos seus filhos no Pai Natal. Diga-lhes que o Pai Natal irá mandá-los para o inferno se eles não acreditarem nele.”
— Anónimo
“Como todas as religiões, a Sagrada Religião da Unicórnio Rosa Invisível é baseada em Lógica e Fé. Nós temos Fé que Ela é Rosa; nós Logicamente sabemos que Ela é Invisível, porque nós não podemos vê-la.”
— Anónimo(paródia criada por ateus)
“Theosaurus: nome dado a um fóssil-Deus encontrado em Jerusalém. Diz-se que foi morto pela razão. Descendente direto do Allahsaurus.”
— Anónimo
“Duas mãos trabalhando fazem mais que milhares unidas rezando.”
— Anónimo
“O cientista anseia encontrar e por fim compreender a verdade; o homem religioso quer que a verdade se encaixe no seu molde preconcebido. Então, como resultado… O cientista altera a sua percepção conforme os factos; o homem religioso tenta mudar os factos conforme suas crenças.”
— Anónimo
“Se lhe ensinassem que os elfos causam a chuva, todas as vezes que chovesse, você veria a prova dos elfos.”
— Ariex
“Nós deveríamos obedecer a um velho pedaço de papel ou deveríamos tomar as nossas próprias decisões?”
— Arthur (o personagem de desenho animado PBS), no capítulo “Misfortune Teller”
“Os fundamentalistas negam que a evolução aconteceu; eles negam que a terra e o universo como um todo têm mais do que alguns milhares de anos, e assim por diante. Existem amplas evidências científicas de que os fundamentalistas estão errados nesses assuntos, e que as suas noções de cosmogonia possuem tanta base em factos quanto a Fada do Dente.”
— Isaac Asimov
“Lida propriamente, a Bíblia é a força mais potente para o ateísmo jamais concebida.”
— Isaac Asimov
“Os criacionistas fazem soar como se uma ‘teoria’ fosse algo que você sonhou após ter ficado bêbado a noite toda.”
— Isaac Asimov
“Eu sou ateu, sou sim. Levei um longo tempo para dizer isso. Eu tenho sido um ateu por anos e anos, mas de algum modo eu senti que era intelectualmente inaceitável dizer que alguém é um ateu, porque isso assumia um conhecimento que ninguém tem. De algum modo era melhor dizer que alguém era um humanista ou agnóstico. Eu não tenho a evidência para provar que Deus não existe, mas eu suspeito tanto que ele não existe que eu não quero perder o meu tempo.”
— Isaac Asimov
“Eu não temo morrer e ir para o Inferno ou (o que seria consideravelmente pior) ir para a versão popularizada do Paraíso. Eu espero que a morte seja um nada e, por me remover todos os medos possíveis da morte, eu sou muito agradecido ao ateísmo.”
— Isaac Asimov, como citado na Corvallis Secular Society, 1997
“Afirmar que ‘Deus fez isso’ não é nada mais do que uma admissão de ignorância vestida enganadoramente como uma explicação.”
— Peter Atkins
“A terra é achatada, e qualquer um que negue essa afirmação é um ateu e merece ser punido.”
— Sheik Abdel-Aziz Ibn Baaz, autoridade religiosa suprema, Édito Muçulmano religioso, 1993, Arábia Saudita
B
“A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo Domingo, cantando: ‘Sim, a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amen.’”
— Dan Barker, ex-evangélico e autor
“Eu sou ateu porque não há evidência para a existência de Deus. Isso deve ser tudo o que se precisa dizer sobre isso: sem evidência, sem crença.”
— Dan Barker, Perdendo a Fé na Fé: De Padre a Ateu
“Afirmar que a terra gira em torno do sol é tão errôneo quanto afirmar que Jesus não nasceu de uma virgem.”
— Cardeal Bellarmino (1615, durante o julgamento de Galileu)
C
“O local próprio para o estudo das crenças religiosas é numa igreja ou no templo, em casa, ou num curso sobre religiões comparadas, mas não numa aula de biologia. Não há lugar no nosso mundo para uma ideologia que procura mentes fechadas, força à obediência, e retorna o mundo a um paraíso que nunca existiu. Os estudantes devem aprender que o universo pode ser confrontado e entendido, que ideias e autoridades devem ser questionadas, que uma mente aberta é uma coisa boa. A educação não existe para confirmar a superstição das pessoas, e as crianças não aprendem a pensar quando elas são alimentadas apenas com dogmas.”
— Tim Berra, “Evolução e o Mito do Criacionismo”
“Infiel: Em Nova Iorque, alguém que não acredita na religião Cristã; em Constantinopla, alguém que acredita.”
— Ambrose Bierce
“Religião é como quimioterapia, ela pode resolver um problema, mas pode causar um milhão a mais.”
— John Bledsoe
“Religião é uma coisa excelente para manter as pessoas comuns quietas.”
— Napoleão Bonaparte, imperador Francês
“Qualquer um que se engaje na prática de psicoterapia se confronta todo dia com a devastação forjada pelos ensinamentos da religião.”
— Nathaniel Branden, Ph.D.
“Nenhum mito de criação miraculosa é tão maravilhoso como a face da evolução do homem.”
— Robert Briffault (1876-1948), “Educação Racional”, 1930
“Se a bíblia está errada ao nos dizer de onde viemos, como podemos confiar nela ao dizer para onde iremos?”
— Justin Brown
D
“Acreditar é mais fácil do que pensar. Daí existirem muito mais crentes do que pensadores.”
— Bruce Calvert
“A religião é apenas controle mental.”
— George Carlin, comediante
“O homem aponta, e Deus desaponta.”
— Miguel de Cervantes (1547-1616), escritor Espanhol. Sancho Pança, em Don Quixote, pt. 2, liv. 6, cáp. 22 (1615)
“Por simples senso comum não acredito em Deus, em nenhum.”
— Charlie Chaplin, no “Manual do Ateísta Perfeito” por Rius
“A religião é um subproduto do medo. Na maior parte da história humana, ela pode ter sido um mal necessário, mas por que ela foi mais má do que o necessário? Matar pessoas em nome de Deus não é uma boa definição de insanidade?”
— Arthur C. Clarke, autor
“A afirmação de que Deus criou o homem à sua própria imagem está tiquetaqueando como uma bomba-relógio nas fundações do Cristianismo.”
— Arthur C. Clarke, autor
“Eu defenderia a liberdade dos adultos criacionistas de praticar qualquer perversão intelectual que eles gostem na privacidade de seus próprios lares; mas também é necessário proteger os jovens e inocentes.”
— Arthur C. Clarke, autor
“Deuses são coisas frágeis; eles podem ser mortos com uma baforada de ciência ou uma dose de senso comum.”
— Chapman Cohen
“É, portanto, nossa conclusão inequívoca que o criacionismo, com seus relatos da origem da vida via meios sobrenaturais, não é ciência.”
— “Ciência e Criacionismo”, National Academy Press, 1984
“Seres humanos nunca pensam por si mesmos, acham muito desconfortável. Na maior parte, os membros de nossa espécie simplesmente repetem o que lhes é dito – e ficam aborrecidos quando expostos a qualquer ponto de vista diferente. O traço característico humano não é o conhecimento, mas a conformidade, e a característica resultante é a guerra religiosa. Outros animais lutam por território ou comida; mas, singularmente no reino animal, os seres humanos lutam por suas ‘crenças.’ A razão é que as crenças guiam o comportamento, que tem uma importância evolucionária entre os humanos. Mas numa época onde o nosso comportamento pode nos levar à extinção, não vejo razão para assumir que temos qualquer conhecimento. Somos conformistas teimosos e auto-destrutivos. Qualquer outro ponto de vista da nossa espécie é apenas uma ilusão auto-congratulatória.”
— Michael Crichton, “O Mundo Perdido”
E
“Render-se à ignorância e chamá-la de Deus sempre foi prematuro, e continua prematuro até hoje.”
— Umberto Eco
“Foi, é claro, uma mentira o que você leu sobre as minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Eu não acredito num Deus pessoal e eu nunca neguei isso, mas expressei claramente. Se existe algo em mim que pode ser chamado de religioso, esse algo é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo tão longínqua quanto a nossa ciência pode revelar.”
— Albert Einstein, físico Americano nascido Alemão
F
“Se Deus queria que as pessoas acreditassem nele, por que então ele inventou a lógica?”
— David Feherty, jogador de golfe da PGA Tour
“Como muitas pessoas, eu não tenho religião, e estou apenas sentado num barquinho que navega conforme a maré. Vivo nas dúvidas do meu dever…. Penso que há uma dignidade nisso tudo, apenas em continuar trabalhando…. Hoje estamos nus, sem defesa, e mais sozinhos do que em qualquer época na história. Estamos esperando por algo, talvez outro milagre, talvez os Marcianos. Quem sabe?”
— Federico Fellini (1920-1993), diretor de filmes Italiano, citado por Martin E. Marty em Variedades de Descrenças (1964), também pág. 54, de James A. Haught, ed., 2000 Anos de Descrença
“Quando o primeiro espertalhão encontrou o primeiro imbecil, nasceu o primeiro deus.”
— Millor Fernandes
“[Quando uma pessoa jovem perde a fé na sua religião porque ela começa a estudar a ciência e a sua metodologia] não é que [através da obtenção de conhecimento real] ela sabe tudo, mas ela de repente percebe que ela não sabe tudo.”
— Richard P. Feynman
“Deus foi inventado para explicar o mistério. Deus é sempre inventado para explicar essas coisas que você não entende. Agora, quando você finalmente descobre como algo funciona, você tem algumas leis que está tirando de Deus; você não precisa mais dele. Mas você precisa dele pros outros mistérios. Portanto você o deixa para criar o universo porque ainda não descobrimos isso ainda; você precisa dele pra compreender essas coisas que você não crê que as leis irão explicar, tal como a consciência, ou por que você vive apenas um certo período de tempo – vida e morte – coisas como essas. Deus está sempre associado com essas coisas que você não compreende. Portanto não penso que as leis possam ser consideradas como sendo como Deus porque elas foram compreendidas.”
— Richard P. Feynman
“Preces nunca trazem nada… Elas podem trazer consolo para o esgotado, o fanático, o ignorante, o aborígene, e o preguiçoso – mas para o culto é o mesmo que pedir para o Pai Natal trazer algo para o Natal.”
— W. C. Fields
“O jeito de ver pela fé é fechar os olhos da razão.”
— Benjamin Franklin, Pai Fundador Americano, autor e inventor
“A religião é comparável com uma neurose da infância.”
— Sigmund Freud, psicólogo Alemão
G
“É certamente prejudicial para as almas tornar uma heresia acreditar no que é provado.”
— Galileu Galilei
“Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque você escutou. Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi dito e fofocado por muitos. Não acredite em qualquer coisa simplesmente porque foi encontrado escrito em seus livros religiosos. Não acredite em qualquer coisa meramente na autoridade de seus professores e anciãos. Não acredite em tradições porque elas foram passadas abaixo por gerações. Mas após observação e análise, quando você descobre que qualquer coisa concorda com a razão e é condutivo ao bem e benefício de um e todos, então aceite e viva para isso.”
— Siddartha Gautama(o Buda)
“Nada falha como a prece.”
— Annie Laurie Gaylor
“A ‘Ciência da Criação’ não entrou no currículo por uma razão tão simples e tão básica que nós freqüentemente esquecemos de mencioná-la: porque ela é falsa, e porque bons professores entendem exatamente por quê ela é falsa. O que poderia ser mais destrutivo nessa mais frágil porém mais preciosa comodidade em toda nossa herança intelectual – bom ensino – do que uma lei forçando professores honoráveis a trair suas crenças sacras ao garantir tratamento igual a uma doutrina que não é apenas sabidamente falsa, mas calculada para minar qualquer compreensão geral da ciência como um empreendimento?”
— Stephen Jay Gould, “The Skeptical Inquirer”
“O argumento de que a estória literal do Gênesis pode ser classificada como ciência entra em colapso em três solos principais: a necessidade dos criacionistas de invocar milagres para comprimir os eventos da história da Terra dentro do espaço de tempo bíblico de apenas alguns milhares de anos; a falta de vontade deles de abandonar afirmações claramente desprovidas, incluindo a afirmação de que todos os fósseis são produtos do dilúvio de Noé; e a confiança deles na distorção, má citação, meia citação, e citação fora do contexto para caracterizar as ideias de seus oponentes.”
— Stephen Jay Gould, “O Veredito Sobre O Criacionismo”, The Skeptical Inquirer, Inverno 87/88, Pág. 186
H
“A minha prática como um cientista é ateísta. Isso quer dizer que, quando eu faço uma experiência, eu assumo que nenhum deus, anjo, ou demônio vai intervir no seu curso, e essa assunção foi justificada pelo tamanho sucesso que eu alcancei na minha carreira profissional. Eu seria, portanto, intelectualmente desonesto se eu não fosse também ateísta nos negócios do mundo. E eu seria um covarde se eu não declarasse as minhas visões teóricas em público.”
— J. B. S. Haldane, citado por L. Beverly Halstead em seu artigo “Evolução – os Fósseis Dizem Sim!” em Ciência e Criacionismo, editado por Ashley Montagu (Oxford U. Press, 1984) Pág. 241
“A educação seria muito mais eficaz se o seu propósito fosse assegurar que, quando eles deixassem a escola, todo o menino e menina deveria saber o quanto eles não sabem, e serem imbuídos com um desejo vitalício de sabê-lo.”
— Sir William Haley
“Desde que o universo tenha um começo, podemos supor que ele teve um criador. Mas se o universo é completamente auto-contido, não tendo fronteiras ou bordas, ele não seria nem criado nem destruído… Ele simplesmente seria. Que lugar há, então, para um criador?”
— Stephen W. Hawking, cientista Inglês
“Se nós vamos ensinar ‘ciência da criação’ como uma alternativa à evolução, então nós devemos ensinar também a teoria stork (teoria da cegonha) como uma alternativa para a reprodução biológica.”
— Judith Hayes
“Acredito hoje que estou agindo de acordo com o Criador Todo-Poderoso. Ao repelir os Judeus estou lutando pelo trabalho do Senhor.”
— Adolph Hitler, Discurso, Reichstag, 1936
“Onde quer que a religião esteja envolvida, os terroristas matam mais pessoas.”
— Dr. Bruce Hoffman, diretor do Centro para Estudo do Terrorismo e Violência Política na Universidade St. Andrews, Escócia
“Em algumas seitas, os membros são ordenados a cometer atos violentos porque o único meio deles conseguirem mais rapidamente o perdão ou alcançarem a salvação é eliminar os descrentes.”
— Dr. Bruce Hoffman, diretor do Centro para Estudo do Terrorismo e Violência Política na Universidade St. Andrews, Escócia
“Você nunca vê animais fazendo as absurdas, e às vezes horríveis, enganações da mágica e da religião. Apenas o homem se comporta com tal enganação gratuita. Esse é o preço que ele tem que pagar por ser inteligente, mas não, porém, inteligente o suficiente.”
— Aldous Huxley, autor
“A última instância de recurso é a observação e a experimentação… não a autoridade.”
— Thomas H. Huxley
“Governar grilhando a mente através do medo da punição noutro mundo é tão baixo quanto usar a força.”
— Hypatia (Matemática Alexandriana, assassinada por uma multidão Cristã em 415 CE)
I
“A inspiração da Bíblia depende da ignorância da pessoa que a lê.”
— Robert G. Ingersoll, político e professor norte-americano
J
“Você diz que há apenas um meio de prestar culto ao Grande Espírito. Se há apenas uma religião, por que é que vocês, gente branca, diferem tanto sobre ela?”
— Chefe Jaqueta Vermelha, Chefe Indígena Seneca
“As religiões são todas iguais – fundadas sobre fábulas e mitologias.”
— Thomas Jefferson, Presidente dos E.U.A., autor, cientista, arquiteto, educador e diplomata
“Eu não fui criado como um Católico, mas eu costumava ir à missa com os meus amigos, e eu vi aquilo tudo como um monte de hocus-pocus muito encantador. Tem um tipo pendurado no muro na igreja, pregado numa cruz e pingando sangue, e toda a gente está a culpar-se pelo tormento desse homem, mas eu disse pra mim mesmo: ‘Esquece. Eu não participo desse mal. Eu não tenho pecado original. Não há sangue de nenhum mártir sacro nas minhas mãos. Eu rejeito tudo isso.’”
— Billy Joel, músico norte-americano
K
“SEM prova, SEM deus, SEM problema.”
— Kamian
= PRECE HONESTA =Querido Senhor, me ame hoje e para sempre, abençoe minha alma e consciência todos os dias, concorde com todas as minhas decisões, puna meus inimigos até que eu esteja satisfeito, me dê grandes quantidades de dinheiro, prometa sempre me ajudar a vencer, olhe pro lado quando eu trapacear, justifique minhas desculpas e acredite em todas as minhas mentiras, obedeça meus desejos, e reserve a parte mais luxuosa do paraíso só pra mim. Vou ser agradecido contanto que você faça o que digo. Amen.— Wally Kaspers, do LUMPEN vol. 5, Nos. 8/9
“Religião organizada: O maior esquema pirâmide do mundo.”
— Bernard Katz
“A fé é um eufemismo para preconceito e a religião é um eufemismo para superstição.”
— Paul Keller, racionalista Americano
“Quando os missionários chegaram pela primeira vez na nossa terra, eles tinham as Bíblias e nós tínhamos a terra. Cinqüenta anos depois, nós tínhamos as Bíblias e eles tinham a terra.”
— Jomo Kenyatta, primeiro Presidente do Quênia após a independência
ROONEY: “Você realmente temeu ir para a prisão?”
KEVORKIAN: “Não! Nunca! Eu sou um criminoso? O mundo sabe que eu não sou um criminoso! Por que estão tentando me por na cadeia? Vocês perderam o senso comum nessa sociedade por causa do fanatismo e do dogma religioso. Vocês estão baseando suas leis e toda a sua visão de vida natural em mitologia! Não vai funcionar! É por isso que vocês têm todos esses problemas no mundo. Diga seus nomes – Índia, Paquistão, Irlanda. Os nomeie! Todos esses problemas – são todos problemas religiosos!”
— Dr. Jack Kevorkian, com Andy Rooney no “60 Minutes”
“Matar é uma forma de piedade porque ela retifica a pessoa. Às vezes a pessoa não pode ser reformada a não ser que ela seja cortada e queimada… Você deve matar, queimar e trancafiar aqueles na oposição.”
— Ayatollah Khomeini, líder religioso Iraniano, 3 de Fev. de 1984
“A beleza da mania religiosa é que ela tem o poder de explicar tudo. Uma vez que Deus (ou Satã) são aceites como a primeira causa de tudo que acontece no mundo mortal, nada é deixado à sorte… a lógica pode ser alegremente jogada pela janela.”
— Stephen King
“Obediência: Religião dos escravos. Religião de morte intelectual. Gosto dela. Não faça perguntas, não pense, obedeça a Palavra do Senhor – que foi convenientemente trazida até você por um cara num Rolls Royce com um Rolex pesado no seu pulso. Eu gosto desse trabalho! Onde me inscrevo?”
— Oleg Kiselev
“A fé é freqüentemente a vaidade do homem que é muito preguiçoso para investigar.”
— F. M. Knowles
“Aparentemente, os cristãos requerem uma constante afirmação de suas crenças, senão eles começam a reverter ao estado natural da descrença. Esse deve ser um mecanismo de defesa dos memes cristãos, evoluídos por 2000 anos de ignorar a realidade.”
— Paul J. Koeck
“Através dos anos, percebi que o deus para quem eu rezava era o deus que eu inventei. Quando eu falava com ele, falava comigo mesmo. Ele não tinha conhecimento ou qualidades que eu não tenho. Quando percebi que deus era uma extensão da minha imaginação, parei de rezar para ele.”
— Howard Kreisner, âncora do programa “The American Atheist Hour”
“Faz muita diferença se pensamos em Deus como uma pessoa ou como uma força. De uma forma você tem o Cristianismo, do outro você tem a Guerra nas Estrelas.”
— Jayne Kulikauskas
“O cético não tem ilusões sobre a vida, nem uma crença inútil na promessa de imortalidade. Já que a vida aqui e agora é tudo o que podemos conhecer, a nossa opção mais sensata é vivê-la ao máximo.”
— Paul Kurtz, “A Tentação Transcendental” (1986)
L
“Crença religiosa não é uma condição prévia para a conduta ética ou para a felicidade.”
— Dalai Lama, “Ética para o Novo Milênio”
“Encontramos muitos livros… e já que eles continham apenas superstições e falsidades do Diabo, nós queimamos todos eles.”
— Bispo Católico Diego de Landa, após queimar livros inestimáveis da história e da ciência Maia, Julho de 1952
“O telescópio vasculha os céus sem encontrar Deus.”
— Pierre Laplace (1749-1827), astrônomo e matemático Francês, em Rufus K. Noyes, Visões de Religião
“Ubi dubium ibi libertas (Onde há dúvida, há liberdade).”
— Provérbio Latino
“Fundamentalismo Cristão: A doutrina que tem uma entidade absolutamente poderosa, infinitamente sábia, universalmente expandida que está profundamente e pessoalmente preocupada com a minha vida sexual.”
— Andrew Lias
“Jesus não é meu melhor amigo, tenho amigos reais.”
— Andrew Lias na alt.atheism
“Quantas patas tem um cão se você chamar o rabo de pata? Quatro. Chamar um rabo de pata não faz dele uma pata.”
— Abraham Lincoln
“Não sinto falta nenhuma de Deus, mas com certeza sinto falta do Pai Natal.”
— Courtney Love
“Os budistas encontravam contentamento em viver, em mudar como as estações mudavam, em aceitar tudo o que a vida tinha a oferecer…. ou tomar. Os católicos lutavam contra a ordem natural, acreditavam que o homem devia estar acima desses instintos baixos, que devia impor sua própria ordem específica sobre a anarquia já existente.”
— Eric Van Lustbader, Livro Jian
“A razão deve ser destruída em todos os Cristãos.”
— Martinho Lutero
M
“Está a tornar-se claro que a religião está no coração de muitas guerras civis e batalhas internacionais. As pessoas parecem querer matar, mutilar, torturar e morrer pela crença religiosa ou espiritual que as faz acreditarem que a sua fonte de divindade é a única fonte… Considere: Em nome de Deus, um fatwa contra Salman Rushdie. Em nome de Deus, assassinato nos Balcãs. Em nome de Deus, o atentado à bomba do World Trade Center. Em nome de Deus, o sítio em Waco, Texas. Em nome de Deus, hindus e muçulmanos se matam na Índia. Em nome de Deus, guerras sangrentas entre Protestantes e Católicos na Irlanda. Em nome de Deus, xiitas e sunitas estão se enforcando no Iraque e no Irã, tal como os árabes e os judeus no Oriente Médio. Em nome de Deus, um médico é assassinado porque acreditou no direito de escolha das mulheres. Em nome de Deus, o que está acontecendo?”
— Shirley MacLaine, citada em “2000 Anos de Descrença, Pessoas Famosas com a Coragem para Duvidar”, de James A. Haught, Prometheus Books, 1996
“Os Judeus reverenciam abaixando as cabeças, os Cristãos se ajoelham, os Muçulmanos se ajoelham com a bunda pro ar. Os Ateus erguem as mãos com orgulho e não se ajoelham para ninguém e coisa alguma – divindade não-existente, ameaças de um inferno não-existente ou outros humanos.”
— Michelle Malkin
“As experiências religiosas são como aquelas induzidas por drogas, álcool, doença mental e privação de sono: Elas não contam nenhuma estória uniforme ou coerente, e não há qualquer teoria plausível para justificar as discrepâncias entre elas.”
— Michael Martin, “Ateísmo: Uma Justificação Filosófica”
“Existe uma crença na comunidade geral quanto ao efeito que muitos matemáticos, estatísticos, e outros cientistas, consideram as afirmações sobre o Código da Bíblia como dignas de crédito. Essa crença é incorreta. Pelo contrário, a opinião quase unânime dessas pessoas no mundo científico que estudaram a questão é que a teoria não tem fundamentos. As assinantes nessa carta examinaram a evidência e concluíram que ela não é convincente.”
— Declaração de 54 Professores Ph.D de Matemática sobre a análise de Drosnin dos “Códigos da Bíblia”
“O teísta e o cientista são intérpretes rivais da natureza, o primeiro retrocede conforme o outro avança.”
— Joseph McCabe, “A Existência de Deus”, pág. 84
“O invisível e o inexistente se parecem muito.”
— Delos B. McKown, Ph.D., Professor americano, filósofo, autor, ex-padre
“Escola Dominical: Uma prisão onde as crianças pagam penitência pela consciência maldosa de seus pais.”
— H. L. Mencken
“A ciência tem provas sem certeza. Os criacionistas têm certeza sem qualquer prova.”
— Ashley Montagu
“Quantas coisas nós segurámos ontem como artigos de fé que hoje nós contamos como fábulas?”
— Michel E. de Montaigne
“Onde há o dever de prestar culto ao Sol, é praticamente certo que seja crime examinar as leis do calor.”
— John Morley
“A única maneira com a qual podemos determinar a verdadeira idade da terra é com Deus nos dizendo qual é. E já que Ele nos disse, muito claramente, nas Escrituras Sagradas que ela tem alguns milhares de anos de idade, e não mais, isso deve colocar um ponto final em todas as perguntas básicas sobre a cronologia terrestre.”
— Henry Morris, Presidente do Instituto de Pesquisa da Criação, 1974
N
“O criacionismo foi criado. A evolução evolui.”
— John Nicholson
O
“Não podem haver barreiras para a liberdade de questionamento. Não há lugar para dogma na ciência. O cientista é livre e deve ser livre para formular qualquer pergunta, para duvidar de qualquer afirmação, para procurar por qualquer evidência, para corrigir quaisquer erros.”
— J. Robert Oppenheimer, Life, 10 de Outubro de 1949
“Contanto que os homens sejam livres para perguntar o que devem perguntar, livres para dizer o que pensam, livres para pensar o que quiserem, a liberdade jamais será perdida, e a ciência jamais pode regridir.”
— J. Robert Oppenheimer, Life, 10 de Outubro de 1949
P
“Essa tal de nova religião não passa de um bando de ritos e cânticos esquisitos criados para arrancar dinheiro dos trouxas. Agora vamos rezar o Pai Nosso 40 vezes, mas antes vamos passar a sacolinha.”
— Reverendo Lovejoy, em “Os Simpsons”
Marge, você alguma vez já sentou realmente e leu essa coisa? Tecnicamente, nós não temos permissão nem para ir ao banheiro.
— Padre em “Os Simpsons”
“A religião Cristã começa com um sonho e termina com um assassinato.”
— Thomas Paine
“Foi o medo que trouxe primeiro os Deuses para o mundo.”
— Gallus Petronius, cortesão Romano do Século I
“Eles vieram com uma Bíblia e sua religião – roubaram nossa terra, esmagaram nosso espírito… e agora nos dizem que devemos ser agradecidos ao ‘Senhor’ por sermos salvos.”
— Chefe Pontiac, Chefe Indígena Americano
Q
“Uma vez que um líder se torna religioso, [fica] impossível para você tentar debater com ele. Uma vez que alguém lidera em nome da religião, as suas vidas se tornam um inferno.”
— Coronel Moammar Qaddafi, no Congresso Geral das Pessoas em Tripoli em Outubro, 1989
R
“A mente humana é um sistema muito complicado. Desequilibre esse sistema com falta de oxigênio, drogas ou religião e você terá resultados perigosos.”
— Landis D. Ragon
“Para ter certeza que minha blasfêmia está minuciosamente clara, por meio desta declaro minha opinião de que a noção de um deus é uma superstição básica, que não há evidência para a existência de nenhum deus(es), que diabos, demônios, anjos e santos são mitos, que não há vida após a morte, paraíso nem inferno, que o Papa é um dinossauro medieval perigoso e intolerante, e que o Espírito Santo é um personagem de história em quadrinhos digno de risadas e escárnio. Acuso o deus Cristão de assassinato ao permitir o Holocausto – sem mencionar a ‘limpeza étnica’ presentemente sendo feita pelos Cristãos no mundo –, condeno e vilipendio essa divindade mítica por encorajar o preconceito racial e comandar a degradação da mulher.”
— James Randi, desafiando as leis de blasfêmia em vários estados dos EUA
“Reconhecer que a natureza não possui preferência pela nossa espécie nem contra ela requer apenas um pouco de coragem.”
— James Randi, “The Faith Healers”
“Acredito hoje no que acreditava quando tinha oito anos – na ciência.”
— Rick Reynolds
“Se a morte é o fim de tudo, então viver é tudo.”
— Richard D. Richardson
“Eu condeno os falsos profetas, eu condeno o esforço para afastar o poder da decisão racional, drenar das pessoas sua liberdade de escolha – e um montão de dinheiro na barganha. As religiões variam no seu grau de idiotice, mas eu rejeito-as todas. Para a maioria das pessoas, a religião é nada mais do que um substituto para o mal funcionamento do cérebro.”
— Gene Roddenberry, Criador da série Jornada nas Estrelas
“Eles dizem que Deus estava no alto e ele controlava o mundo e, portanto, devemos rezar contra o Satã. Bem, se Deus controla o mundo, ele controla o Satã. Para mim, a religião estava tão cheia de afirmações erradas e coisas sem lógica que eu simplesmente não podia concordar com ela.”
— Gene Roddenberry, Criador da série Jornada nas Estrelas
“Deus, Satã, Paraíso e Inferno, todos desapareceram um dia nos meus quinze anos, quando abruptamente perdi minha fé […] e, além disso, para provar meu ateísmo recém-descoberto, comprei um sanduíche de presunto, e então partilhei pela primeira vez a proibida carne do suíno. Nenhum raio caiu em mim. […] Desde esse dia até hoje eu me considero uma pessoa completamente secular.”
— Salman Rushdie, “Em Deus Nós Confiamos”, 1985
“A maioria das pessoas preferiria morrer a pensar; de fato, muitas o fazem.”
— Bertrand Russell
S
“Se você quiser salvar o seu filho da pólio, você pode rezar ou você pode vacinar… Tente a ciência.”
— Carl Sagan
“Existem muitas hipóteses na ciência que são erradas. Isso é perfeitamente correto; elas são a abertura para descobrir o que é certo. A ciência é um processo auto-corretivo. Para serem aceitas, novas idéias devem sobreviver aos mais rigorosos padrões de evidência e escrutínio.”
— Carl Sagan, Série de TV Cosmos, parte 13
“(Quando perguntado meramente se eles aceitam a evolução, 45 por cento dos Americanos dizem sim. A figura é 70 por cento na China.) Quando o filme Parque dos Dinossauros foi mostrado em Israel, ele foi condenado por alguns rabinos Ortodoxos porque ele aceitou a evolução e porque ele ensinou que os dinossauros viveram centenas de milhões de anos atrás – quando, como está claramente declarado em todo Rosh Hashonhan e toda cerimônia de casamento Judaica, o Universo tem menos do que 6.000 anos.”
— Carl Sagan, O Mundo Assombrado Pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro, pág. 325
“O verdadeiro contraste entre a ciência e o mito é tocado mais de perto quando dizemos que a ciência por si só é capaz de verificação.”
— George Santayana (1863-1952), “The Life of Reason” (1905-1906)
“Não existe deus senão o homem.”
— Raul Seixas
“A religião é vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelos inteligentes como falsa, e pelos governantes como útil.”
— Seneca, o Mais Jovem (4? A.C. – 65 D.C.)
“O fato de que um crente é mais feliz do que um cético não é mais pertinente do que o fato de que um homem bêbado é mais feliz do que um sóbrio. A felicidade da credulidade é uma qualidade barata e perigosa.”
— George Bernard Shaw
“O argumento da primeira-causa e do primeiro-movimentador, brilhantemente proferido por São Tomás de Aquino no século quatorze (e brilhantemente refutado por David Hume no século dezoito), é facilmente posto de lado com apenas mais uma pergunta: Quem ou o que causou e moveu Deus?”
— Michael Shermer
“Olha, você ou pode aceitar a ciência e encarar a realidade ou pode acreditar em anjos e viver num mundo infantil.”
— Lisa Simpson
“Qual é a natureza de Deus? A sua natureza é inteiramente dependente da época ou cultura que inventou Ele.”
— Solomon Skink
“Se você é um criacionista, por que tenta falar sobre ciência? Você não tem fé? Você não acredita que Deus fez tudo? Porque é que você até mesmo leva a ciência em consideração?”
— M. Smith-Slattery
“Deus é o Asilo da Ignorância.”
— Baruch Spinoza, filósofo Alemão-Judeu
“No ano 2000, nós iremos, eu espero, criar os nossos filhos para acreditar no potencial humano, não em Deus.”
— Gloria Steinem, ativista dos direitos das mulheres
“Isso eu acredito: Que a mente livre, exploradora do indivíduo humano é a coisa mais valiosa no mundo. E por isso eu luto: A liberdade da mente tomar qualquer direção que se deseje, sem direção. E eu devo lutar contra isso: Qualquer idéia, religião ou governo que limite ou destrua o indivíduo.”
— John Steinbeck, novelista Americano
“No reino da ciência, todas as tentativas de encontrar qualquer evidência de seres sobrenaturais, de concepções metafísicas, como Deus, imortalidade, infinito, etc., falharam, e se nós somos honestos, devemos confessar que na ciência não existem Deus, imortalidade, alma ou mente fora do corpo.”
— Charles P. Steinmetz, inventor e engenheiro Americano, American Freeman, Julho de 1941
“O pastor sempre tenta persuadir a ovelha que os interesses dela e os dele são os mesmos.”
— Stendhal (Marie-Henri Beyle)
“A única desculpa de Deus é que ele não existe.”
— Stendhal (Marie-Henri Beyle)
“Estou enjoado de todas as religiões. A religião dividiu as pessoas. Não creio que exista qualquer diferença entre o papa vestir um chapelão e andar para lá e para cá com uma bolsa fumacenta e um africano pintar a sua cara de branco e rezar para uma pedra.”
— Howard Stern
“Invocar o não-conhecível para explicar o ‘Desconhecido’ é um beco sem saída intelectual.”
— Neal M. Stevens
“A ciência está aberta à crítica, que é o oposto da religião. A ciência implora para que você prove que ela está errada – que é todo o conceito – onde a religião o condena se você tentar provar que ela está errada. Ela te diz: aceite com fé e cale a boca.”
— Jason Stock
“Antigamente, quando a religião era forte e a ciência era fraca, os homens erradamente tomavam magia ao invés de remédios; agora, quando a ciência é forte e a religião é fraca, os homens erradamente tomam remédios como magia.”
— Thomas Szasz
T
“Ser um ateu requer força mental e bondade de coração encontradas em um entre milhares.”
— Samuel Taylor Coleridge, poeta, crítico, jornalista e filósofo Inglês
“Ela é apenas uma retribuição justa para a conduta sexual imprópria.”
— Madre Teresa, sobre a SIDA
“Na presença de um teísta, toda a ação terá uma reação fútil ou risível.”
— Primeira Lei da Termodinâmica do Bill – Bill Thacker na alt.atheism
“E ao 4,5 bilionésimo ano, o homem disse: Que haja deus.”
— Justin Thomas ([email protected])
“Quando nós falamos com Deus, é uma prece. Quando Deus fala conosco, é esquizofrenia.”
— Lily Tomlin, atriz Americana
“Se Deus é nosso Pai (você que pensa), então Satã deve ser nosso Primo. Por que ninguém entende essas coisas importantes?”
— Tool
“É melhor ler a previsão do tempo antes de rezar por chuva.”
— Mark Twain
“Um montão de fábulas e tradições, mera mitologia.”
— Mark Twain(Sobre A Bíblia)
“Uma das provas da imortalidade da alma é que miríades acreditaram nela – eles também acreditaram que o mundo era achatado.”
— Mark Twain
U
“Céptico não significa aquele que duvida, mas aquele que investiga ou pesquisa, oposto àquele que afirma e pensa que descobriu.”
— Miguel de Unamuno
V
“As pessoas não deviam ficar surpresas quando um estilo de vida moralmente ofensivo é atacado fisicamente.”
— O Vaticano
“Eu acredito na separação entre igreja e estado… Todos temos as nossas crenças religiosas. Existem pessoas que são ateístas, que não acreditam. … Elas são todas cidadãs de Minnesota e tenho que respeitar isso.”
— Jesse Ventura, Governador de Minnesota, explicando por que recusou assinar a proclamação do Dia Nacional da Prece, 06/05/1999
“Hoje nós estamos testemunhando tal ressurgimento do fanatismo religioso que ninguém pode prever quanto tempo irá levar antes que um ‘tempo igual’ em nossas escolas seja pedido para o geocentrismo e a terra achatada tão quanto para o criacionismo.”
— Dr. Thomas S. Vernon, professor emérito de filosofia, Grandes Infiéis, 1989, pág. 105
“A vida de um teísta é uma constante ilusão de ótica.”
— Leo Vines
“Nada pode ser mais contraditório à religião e ao clero do que a razão e o senso comum.”
— Voltaire, Dicionário Filosófico, 1764
W
“Onde estão os filhos dos deuses que amaram as filhas dos homens? Onde estão as ninfas, as deusas dos ventos e das águas? Onde estão os duendes que costumavam pregar peças nos mortais? Onde estão as fadas que podiam gorar ou abençoar o coração humano? Onde estão os fantasmas que assombravam esse globo? Onde estão as bruxas que voavam pelos lares dos homens? Onde está o diabo que uma vez errou pela terra? Onde estão eles? Se foram juntamente com a ignorância que acreditou neles.”
— Lamuel K. Washburn, “Vale A Pena Ler A Bíblia E Outros Ensaios”, 1911
“O inferno é para onde os covardes enviaram os heróis.”
— Lemuel K. Washburn, Vale A Pena Ler A Bíblia E Outros Ensaios
“Não há nada que possa merecer mais o nosso patrocínio do que a promoção da ciência e da literatura. O conhecimento é, em cada país, a base mais segura para a felicidade pública.”
— George Washington (1790)
“Hoje, a teoria da evolução é um fato aceite por todos menos uma minoria fundamentalista, cujas objeções são baseadas não em racionalização, mas em adesão doutrinária a princípios religiosos.”
— Dr. James D. Watson, prêmio Nobel pela co-descoberta da estrutura do DNA
“Eu sou a favor de um diálogo entre a ciência e a religião, mas não um produtivo. Estou incomodado com o facto … que muitas pessoas estão tendo a (falsa) impressão de uma feliz reconciliação entre a ciência e a religião … Religião … é um insulto à dignidade humana.”
— Steven Weinberg, Físico ganhador do Prêmio Nobel, refutando o “design inteligente” e o suporte científico da teologia, na conferência “Programa de Diálogo Entre Cientistas e Religião”, Associação Americana para o Avanço da Ciência, Washington DC, Abril de 1999. Artigo de Steven Kloehn, Tribuna de Chicago, 18/4/99 em Corpus Christi Caller-Times
“Não acredito que tenho qualquer imortalidade. O maior mal no mundo hoje é a religião Cristã.”
— H. G. Wells
“Mitologia é aquilo em que os adultos acreditam, folclore é aquilo que eles contam para os seus filhos, e religião é ambos.”
— Cedric Whitman, carta para Edward Tripp, 1969
“A verdade em termos de religião é simplesmente a opinião que sobreviveu.”
— Oscar Wilde (1854-1900), Autor Anglo-Irlandês
“A ciência é o registo das religiões mortas.”
— Oscar Wilde (1854-1900), Autor Anglo-Irlandês
“Se Deus tomasse ácido, ele veria pessoas?”
— Steven Wright
Z
“O que foi que Adão comeu que ele não devia ter comido? Não foi apenas uma maçã – foi o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. A mensagem subtil? Fique esperto e eu vou te foder todo – dissera o Senhor. Deus é o mais esperto – e ele não quer nenhuma competição. Essa não é uma religião absolutamente anti-intelectual?”
— Frank Zappa
Este trabalho de Paulo Ramos, elaborado em 2009, é uma análise crítica e detalhada sobre a historicidade de Jesus, questionando a sua existência como figura histórica e explorando as origens do cristianismo a partir de fontes judias, romanas e cristãs não canónicas.
O autor examina textos do Novo Testamento, literatura judaica (como o Talmude e o Sepher Toldoth Yeshu), e escritos de historiadores romanos (como Flávio Josefo, Tácito e Suetónio), bem como cartas de Paulo e outros documentos antigos, para avaliar a consistência das narrativas sobre Jesus.
Resumo dos Principais Pontos
1. Introdução: Objetivos e Fontes
O documento questiona se Jesus Nazareno (Yeshu ha-Notzri) foi uma figura histórica real ou uma construção mítica.
Analisa fontes canónicas (Novo Testamento) e não canónicas (evangelhos gnósticos, literatura judaica e romana).
Explora a possibilidade de o cristianismo ter surgido sem um Jesus histórico, baseando-se em um Cristo celestial (ser divino intemporal).
2. Análise das Fontes Judaicas
Sepher Toldoth Yeshu: Descreve um Yeshu ben Pandera, um pretenso Messias que foi desmascarado. Este texto coloca Jesus num contexto histórico diferente (século II AEC), sugerindo que a sua história pode ter sido adaptada ou inventada mais tarde.
Talmude: Menciona Yeshu ben Pandera ou ben Stada, associado a práticas de magia e idolatria. O Talmude refere que Yeshu foi pendurado na véspera da Páscoa, um detalhe que coincide com a narrativa cristã, mas sem confirmar a sua historicidade.
3. Análise dos Evangelhos
Ordem de escrita: Paulo Ramos sugere que os evangelhos foram escritos após as cartas de Paulo, e que a sua ordenação cronológica (Marcos, Mateus, Lucas, João) não reflete a realidade histórica.
Fontes dos evangelhos:
Marcos: Baseado em relatos orais e tradições.
Mateus e Lucas: Usaram Marcos e uma fonte comum (Q), um suposto “Evangelho dos Dizeres” (nunca encontrado).
João: Contém material único, sugerindo uma origem independente.
Autoria anónima: Os evangelhos foram escritos sem assinatura, e os seus títulos (ex.: “Evangelho Segundo Mateus”) foram atribuídos mais tarde pela tradição.
4. Paulo e o Cristo Mítico
Paulo nunca conheceu Jesus fisicamente: As suas cartas não mencionam eventos centrais dos evangelhos (nascimento em Belém, milagres, crucificação por Pilatos, etc.).
Cristo como ser celestial: Para Paulo, Cristo é uma entidade espiritual, não um homem histórico. A sua crucificação e ressurreição são simbólicas e intemporais.
Aparições de Cristo: Paulo descreve revelações místicas (ex.: 1 Coríntios 15:3-8), não encontros físicos com Jesus.
5. Flávio Josefo e o “Testimonium Flavianum”
Antiguidades Judaicas (XVIII, 3, 3): Contém uma passagem controversa sobre Jesus, mas:
É demasiado elogiosa para um historiador judeu.
Não é citada por apologistas cristãos dos primeiros séculos (ex.: Orígenes).
Provavelmente uma interpolação posterior por copistas cristãos.
Menção a Tiago, “irmão de Jesus”: Outra passagem (XX, 9, 1) pode ser autêntica, mas não prova a existência de Jesus, apenas de um Tiago associado a um movimento cristão.
6. Outras Fontes Romanas
Tácito (Anais, XV, 44): Menciona Cristo (não Jesus) como um título, e Nero culpando os cristãos pelo incêndio de Roma (64 EC). Não é uma prova de um Jesus histórico.
Suetónio (Vida de Cláudio, 25, 4): Fala de distúrbios causados por “Crestus” (um nome comum em Roma), sem referir Jesus.
Plínio, o Jovem (Carta a Trajano, 97): Descreve cristãos como adoradores de Cristo, mas não menciona Jesus.
7. Conclusões
Jesus pode não ter existido como figura histórica: A sua história pode ter sido construída a partir de mitos e alegorias (ex.: Dionísio, Melquisedeque).
O cristianismo primitivo pode ter começado como um culto ao Cristo celestial, e só mais tarde (século II) é que Jesus Nazareno foi introduzido como uma figura histórica.
Paulo e os evangelhos representam duas visões distintas:
Paulo: Cristo como ser divino e intemporal.
Evangelhos: Jesus como homem histórico (para harmonizar com as expectativas messiânicas judias).
Estrutura do Documento
O trabalho está organizado em 4 partes principais:
Introdução: Objetivos, revisão e fontes.
Análise: Literatura judaica, evangelhos, Actos dos Apóstolos e cartas de Paulo.
Conclusões: Reconstrução da “verdadeira história” e o silêncio de autores do século I.
Bibliografia: Fontes e referências usadas.
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Cerimónias Humanistas - Celebrar a Vida com Significado e Liberdade
A vida é feita de momentos marcantes que merecem ser celebrados e partilhados com quem mais amamos. No entanto, para quem orienta a sua vida por valores não religiosos, as opções tradicionais de cariz confessional podem não fazer sentido.
As cerimónias humanistas surgem como uma alternativa inclusiva e personalizada, cheia de significado. São celebrações focadas na honestidade das relações humanas, no amor e na história única de cada pessoa ou família, sem dogmas ou rituais predefinidos. Conduzidas por um celebrante com formação e experiência, estas cerimónias dão total liberdade para escolher o local, o tom e a estrutura de um dia especial.
Casamentos Humanistas
O amor focado na história dos noivos
Um casamento humanista é uma celebração centrada inteiramente na história do casal, nos seus valores e no compromisso mútuo que decidem assumir. Ao contrário das cerimónias civis ou religiosas rígidas, aqui não existem guiões obrigatórios.
Totalmente personalizado: A cerimónia reflete quem celebra. Pode ser formal ou descontraída, tradicional ou disruptiva.
Liberdade de local: Pode realizar-se numa praia, numa floresta, num jardim ou em qualquer lugar que tenha um significado especial para o casal.
Inclusão de rituais: Podem incluir momentos simbólicos como o handfasting (atar das mãos), a cerimónia da areia ou o acender de uma vela, bem como músicas, poemas e leituras escolhidas pelos noivos.
Para todos: São celebrações profundamente inclusivas e abertas a todos os casais, sem exceção.
Boas-Vindas a Bebés e Crianças (Cerimónias de Nomeação)
Acolher uma nova vida em comunidade
Para as famílias não religiosas, o nascimento ou a chegada de um filho (seja biológico, adotado ou enteado) é um momento de enorme alegria que pede uma celebração partilhada. A cerimónia de boas-vindas (ou de nomeação) é a alternativa ideal ao batismo tradicional.
Foco nos afetos e promessas: O centro da cerimónia é a apresentação oficial da criança aos familiares e amigos, onde os pais expressam as suas promessas de amor, orientação e apoio para o futuro.
Figuras de referência: Em vez de padrinhos religiosos, as famílias podem nomear “padrinhos civis”, “guias” ou “mentores”, adultos significativos que assumem o compromisso de acompanhar o crescimento da criança.
Rituais criativos: É comum incluir a assinatura de um certificado simbólico, a plantação de uma árvore, a partilha de desejos numa caixa de memórias ou a criação de impressões digitais.
Homenagens
Uma despedida digna centrada no legado de quem partiu
Uma homenagem foca-se na celebração da vida da pessoa que faleceu e num impacto que ela deixou no mundo. É um serviço que reconhece a profunda tristeza da despedida, mas que se foca no tributo honesto e caloroso ao percurso e à personalidade do falecido.
Um tributo sincero: O coração da cerimónia é o elogio fúnebre (ou tributo), que reconstrói a história da pessoa através de memórias partilhadas por familiares e amigos, sem referências a conceitos religiosos ou atos de adoração.
Espaço para reflexão: Embora a cerimónia seja não religiosa, o ambiente é de absoluto respeito por todos os presentes. É possível reservar um momento de silêncio e reflexão, permitindo que as pessoas religiosas, se assim o desejarem, façam uma oração silenciosa.
Flexibilidade e conforto: Pode ser realizado em crematórios, cemitérios ou sob a forma de um memorial posterior num local privado, oferecendo total apoio às famílias num dos momentos mais difíceis das suas vidas.
O toque humanista: Cada uma destas cerimónias é desenhada de raiz em conjunto com a família ou os protagonistas. Não há duas cerimónias humanistas iguais, porque não há duas vidas ou duas histórias de amor idênticas.
Recursos
Organizações em Portugal
Associação República e Laicidade: Uma associação que defende a separação entre o Estado e as religiões, promovendo a laicidade e os valores republicanos em Portugal.
AAP - Associação Ateísta Portuguesa: Dedica-se à promoção do ateísmo, do livre-pensamento e da ciência, bem como à defesa dos direitos dos não crentes em Portugal.
Arena do Tempo: A Arena do Tempo é uma empresa que disponibiliza celebrantes profissionais dedicados à realização de cerimónias simbólicas personalizadas, como casamentos, elopements, renovações de votos e boas-vindas a bebés.
Organizações no Brasil
Humanistas Brasil: A Humanistas Brasil foi criada inicialmente como um grupo de Facebook em Novembro de 2018. Em 2021 foi reconhecida como membro da Internacional Humanista.
Instituto Questão Ciência (IQC): Associação sem fins lucrativos, político-partidários ou religiosos, fundada em 2018 com o objetivo de trazer a ciência para os grandes diálogos no Brasil e a nível global em torno da formulação de políticas públicas.
Recursos Internacionais em Português
Internacional Humanista: A Internacional Humanista é a principal organização global que representa o Humanismo. O site tem conteúdos em várias línguas, incluindo português.
Jovens Humanistas Internacionais: Jovens Humanistas Internacionais é a seção juvenil da Internacional Humanista. São o elo de ligação entre os jovens em organizações humanistas de todo o mundo.
Freedom of Thought Report: Um relatório anual essencial produzido pela Internacional Humanista, que avalia o estado da liberdade de pensamento e o tratamento dos não-crentes em todos os países do mundo.
Fóruns em Português
r/ateismo_br: Comunidade no reddit dedicada à reflexão crítica sobre o ateísmo e o naturalismo filosófico. O espaço prioriza discussões substantivas em ramos como filosofia analítica, epistemologia, ética, metafísica, lógica, filosofia da religião e da ciência.
Física2100: Fórum de ciência no geral, com destaque para a Física, mas também cobrindo temas como Química, Matemática, Ciências da Terra, Biologia, Astronomia, Cosmologia, Informática e até Ficção Científica.
Pensar Naturalista: Uma organização que busca trazer informações sobre naturalismo filosófico, além de abordar vários outros temas relacionados a filosofia, a história e a sociedade no geral. Nosso foco em filosofia, além da defesa do naturalismo, é abordar filosofia da religião sob um ponto de vista ateísta.
Recursos Internacionais de Referência (em Inglês)
Humanists UK: Uma das organizações mais robustas do movimento humanista global.
Understanding Humanism: Para da Humanists UK, uma plataforma educativa que oferece recursos pedagógicos sobre filosofia, ética e secularismo.
American Humanist Association (AHA): Uma das vozes mais ativas e progressistas nos EUA, disponibiliza um vasto arquivo de artigos, podcasts e posições sobre temas como a integridade científica e o secularismo.
Free Inquiry: Embora o site seja maioritariamente em inglês, o The Center for Inquiry é uma das organizações mais influentes do movimento humanista secular.
Committee for Skeptical Inquiry (CSI): Organização de referência mundial no combate à pseudociência, responsável pela publicação da revista Skeptical Inquirer. É considerada uma das fontes mais fiáveis para notícias e artigos sobre ceticismo e método científico.
Europa Laica (Espanha): Uma das organizações mais ativas na promoção do Estado laico, da liberdade de consciência e da separação entre Igreja e Estado em Espanha. O seu portal, o Observatorio del Laicismo, é uma excelente base de dados de conteúdos sobre laicidade em castelhano.
Fédération Nationale de la Libre Pensée (França): Uma organização histórica francesa que defende o livre-pensamento, o racionalismo e a aplicação estrita da lei de 1905 sobre a separação entre Igreja e Estado. É uma voz essencial para entender o secularismo francês (laïcité).
Union Rationaliste (França): Associação que defende o laicismo, a liberdade de pensamento e o ensino público contra o doutrinamento. Luta contra todas as formas de irracionalismo, promovendo o espírito crítico e a reflexão científica.
Humanistischer Verband Deutschlands - HVD (Alemanha): O principal organismo de promoção de uma visão de mundo humanista e secular na Alemanha. Defendem os direitos das pessoas não religiosas e oferecem diversos serviços humanistas, sendo uma das maiores associações do género na Europa.
UAAR – Unione degli Atei e degli Agnostici Razionalisti (Itália): A maior organização italiana dedicada à promoção do ateísmo, do agnosticismo e da laicidade num país com uma forte influência histórica do Vaticano. Oferecem recursos de apoio jurídico e social para a defesa da laicidade.
Humanismo.pt: Promove o Humanismo e os valores humanistas, como a ética baseada na razão, a compaixão e a responsabilidade individual.
ATEA: ATEA é um espaço editorial dedicado à promoção do pensamento crítico, da liberdade de consciência e da defesa do Estado laico. Defende um Brasil onde a ciência, a razão e a ética sejam a base da vida pública, livres de imposições religiosas.
ateus.net: Portal ateísta, livre pensador gerido por André Díspore Cancian.
AstroPT: O AstroPT é um projeto de comunicação de ciência, sobretudo astronomia, em língua portuguesa. Este projeto nasceu da necessidade de criar no mundo virtual um local onde se pudessem encontrar diversas sensibilidades de diferentes domínios astronómicos. O AstroPT é o local onde profissionais, amadores, amantes, e curiosos de astronomia se reúnem, trocam opiniões, discutem ideias, e informam sobre temas relevantes no sector astronómico.
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